Italianos constroem supercarros passionais, alemães, racionais, e os britânicos os fazem para poucos. A McLaren Automotive, assim como diversas outras marcas inglesas, trabalha com produções pequenas tal como Lotus, Aston Martin, Morgan e Marcos. Depois das 106 unidades do antológico F1, desde 2011 a marca resolveu expandir a produção. Em 2014 o volume era de 1.600 unidades, o que motivou a marca a ampliar o portfolio que hoje atua em três frentes: Sports, Super Series e Ultimate. E foi na coluna do meio que ela resolveu avançar com o novíssimo 720S.

O novo supercarro de Woking, uma pequena cidade ao sul da Inglaterra, chegou para aposentar o 650S, produzido entre 2014 e 2017, mas que era uma evolução visual do 12C, lançado em 2011. Apesar de ser um belo carro, ele já dava mostras de cansaço no exigente mercado de supercarros que assistiu às renovações de concorrentes como Ferrari 488 GTB e Lamborghini Huracan.

Dessa forma, o novo Macca estreia seguindo o padrão visual da marca, mas como a própria fabricante afirma, todo o carro foi desenhado para otimizar a aerodinâmica. Ou seja, ele respeita os mesmos dogmas que acompanham a McLaren desde 1968, quando ela desenhou o M6GT, primeiro carro da marca que não era propriamente um monoposto de Fórmula 1.

Mas, mesmo que as linhas tenham sido delineadas pelo túnel de vento, o 720S é um carro exageradamente bonito. Até mesmo o exagerado recorte dos faróis imprime um visual agressivo ao supercarro de formas suaves e um imenso aerofólio de acionamento automático que integra a carroceria.

Coração de leão
Nos últimos anos, a McLaren tirou leite de pedra do V8 3.8 biturbo que equipou a linha 650 e chegou a assustadores 916 cv no P1. Agora o 720s estreia uma evolução do V8: trata-se do M480T, que teve o deslocamento elevado para 4.0 litros e a potência ampliada para generosos 720 cv (cerca de 70 cv a mais que o antecessor) e um torque de 77 mkgf. 

Com isso, o novo McLaren acelera de 0 a 200 km/h em 5 segundos. Para ir de 0 a 100 km/h, crava menos de 3 segundos (2,8 segundos para ser exato) e tem como limite 341 km/h. Mais impressionante que isso é a capacidade de frenagem. O conjunto de freios de alto desempenho e discos de cerâmica de carbono são capazes de levar o carro de 200 km/h até a imobilidade em apenas 4,6 segundos num espaço de apenas 117 metros, graças à asa traseira que atua como um freio aerodinâmico de aviação. Ou seja, ele empurra seu estômago contra o banco quando arranca e o arremessa em direção ao volante quando freia.