Em setembro próximo, o Mercado Central de Belo Horizonte completa 89 anos de atividades. Com aproximadamente 380 lojas abertas e baixíssima vacância, o empreendimento, que é administrado por uma associação formada por lojistas desde 1964, quando o prédio foi privatizado, sabe aproveitar, como poucos, o potencial turístico da capital mineira.
Segundo o presidente, Geraldo Henrique Figueiredo Campos, o Mercado recebe, por dia, 30 mil visitantes, entre viajantes e pessoas “da terra” que fazem do local um dos pontos de encontro mais queridos da cidade. 

Apenas nos finais de semana de um mês, esse número chega a 1,2 milhão de frequentadores.

Na Copa de 2014, além de funcionários bilíngue para receber os turistas, foi reservado um espaço para os visitantes assistirem aos jogos e degustar o famoso “tropeiro do Mercado”. 
 

Corrida

Mas as iniciativas não pararam. Assim como a capital, o Mercado se reinventa continuamente. Eleito o terceiro melhor do mundo, por uma revista de bordo, em 2017, o empreendimento promove cursos de culinária gratuitos, eventos gastronômicos e culturais e, neste ano, já está organizando a 3ªedição da “Corrida e Caminhada do Mercado Central” para trazer público e impulsionar as vendas. 

“No final, os corredores degustam o fígado acebolado com jiló sem o menor peso na consciência”, brincou o dirigente.

Lojistas
Com 35 anos de Mercado Central, a Loja do Itamar, na saída da Rua Goitacazes, tem uma banca variada com 400 itens entre queijos e doces. 

O proprietário, Rodrigo Gomes de Oliveira, 35 anos, administra outras duas lojas da família, junto com o irmão. “Meu pai comprou a primeira loja do meu avô materno. Agora, nós estamos à frente dos negócios”, comentou.

Embora 2017 tenha sido melhor que o ano anterior, o primeiro semestre foi “devagar” em vendas. No comparativo com o mesmo período do ano anterior, o resultado ficou 10% menor. “O segundo semestre é sempre melhor”, destacou.

Novatos
Com 36 anos de idade e três de Mercado Central, o administrador de empresas Tiago Lara Barroso trabalha com um produto que a família produz desde 1850, em Leme do Prado, no Vale do Jequitinhonha: a cachaça Dama da Noite.

“O Mercado foi uma excelente escolha para a loja porque aqui temos um ambiente propício para vender a nossa cachaça. Além dos clientes ‘da terra’, há muitos turistas que procuram iguarias de Minas Gerais. A ‘Dama da Noite’ é uma delas”, afirmou.

Em 2017, as vendas aumentaram 20% e a expectativa para este ano é de chegar a 30% de incremento. 
Atualmente, a produção da “Dama da Noite” é de 20 a 25 mil litros. “É uma cachaça artesanal, muito bem feita”, adiantou. A loja fica na entrada da Avenida Augusto de Lima.