O mercado de automóveis comerciais leves registrou o primeiro ano de elevação desde 2013, quando o setor começou a encolher. Longe de ser um desempenho excepcional, em 2017 foram licenciadas 2.172.235 unidades, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O volume corresponde a uma alta de 9,36% sobre 2016, mas ainda está bem longe dos 3,4 milhões de emplacamentos de 2012, quando foi registrado o recorde histórico que colocou o Brasil entre os quatro maiores fabricantes do mundo (somando também caminhões, ônibus, motocicletas e implementos, num total de 5,7 milhões de unidades).

Nessa toada a General Motors fechou o ano, mais uma vez, na liderança do mercado, com 18,14%; Fiat segue na vice-liderança com 13, 41%, Volkswagen aparece com 12,53%, Ford é a quarta com 9,52% e Hyundai finaliza os cinco fabricantes mais bem posicionados com 9,30% do mercado. A soma delas equivale a 62,9% dos carros vendidos no país.

O percentual da GM corresponde a 394 mil unidades licenciadas, enquanto a Fiat pôs nas ruas outros 291 mil automóveis. VW emplacou 272 mil, Ford 206 mil e Hyundai 201 mil.

O Líder
Pela terceira vez consecutiva o Chevrolet Onix é o carro mais vendido do Brasil. O compacto da GM emplacou nada menos que 188 mil unidades, quase metade de tudo que a Chevrolet vendeu por aqui no ano passado. Também foi o melhor resultado do modelo, desde seu lançamento em 2012. 

Mas o que chama atenção é que o Onix não perdeu rebolado nem mesmo após ter tirado nota zero nos testes de colisão do Latin NCAP, por não oferecer segurança para impactos laterais tanto para adultos, como para crianças. 

O Onix é oferecido em nove versões, que diferem de acabamento, motor, transmissão e até mesmo de visual. A versão mais simples, a Joy 1.0 parte de R$ 42.990. Já a topo de linha, a Activ 1.4, com visual “aventureiro” tem preço inicial de 61.490 e pode ir a R$ 68.240.

Entre os sedãs de entrada (o Onix é considerado compacto pela Fenabrave), o modelo mais vendido foi o Ford Ka, com 94.458 unidades. O popular tem nove versões, motores 1.0 e 1.5, e parte de R$ 43.780.

Bala na agulha
A General Motors ainda liderou nos segmentos de sedã de entrada com o Prisma, que vendeu quase 69 mil unidades, sedã compacto como o Cobalt (22,9 mil) e entre os hatches médios com o Cruze Sport6 (7.328). O bom desempenho justifica o fato de a gigante norte-americana deter quase um quinto do mercado brasileiro.

No entanto, chama atenção o desempenho de modelos como Toyota Corolla e Jeep Compass, que são automóveis de valor inicial elevado. O sedã japonês, em sua versão mais despojada parte de R$ 92.690, enquanto a opção mais refinada, a Altis começa em R$ 117.900.

No entanto, o valor salgado não afastou o consumidor. O Corolla emplacou em 2017, 66.188 unidades, mais que o dobro que o arquirrival Honda Civic, que vendeu 25 mil carros.

Se a Toyota deu uma surra na Honda, no segmento dos sedãs médios, ela também apanhou entre os utilitários-esportivos (SUV). A Fenabrave não diferencia o porte dos modelos, jipinho ou jipão, todos figuram na mesma tabela. E em 2017 quem seu deu bem foi o Jeep Compass, que bateu o Honda HR-V.

O SUV americano emplacou 49.187 unidades, contra 47.775. Não chega a ser uma surra, mais foi um golpe duro, ainda mais que se trata de um modelo que parte de R$ 108 mil, enquanto o jipinho japonês inicia em R$ 80.900. 

A tábua da salvação
Depois de anos gozando as delícias de ser líder de mercado com quase 25% de participação (numa época em que o mercado virava mais 3 milhões de unidades ao ano), a Fiat viu suas vendas despencarem vertiginosamente. E o segmento que tem mantido a marca italiana na segunda colocação é o de utilitários leves, como a picape Strada e a intermediária Toro. 

A veterana, que já chegou a ser líder de vendas em março de 2015, emplacou 54.870 unidades. Já a Toro licenciou 50.723 unidades em 2017.