As micro e pequenas empresas (MPE) têm puxado a retomada do emprego em Minas Gerais. O saldo foi de 4.629 vagas em outubro, com destaque para as áreas de comércio, com 2.939 postos, e serviços, com 1.926. O balanço é fruto de 87,3 mil contratações e 82,7 mil demissões no segmento. No Brasil, o total de novos empregos nos estabelecimentos de pequeno porte foi de 60.502.

O comerciante Anchieta Maciel é um dos novos empregadores. Há 30 dias, ele abriu a Esquina dos Pampas, no bairro Prado, em Belo Horizonte, onde vende produtos regionais mineiros, como doces, queijos, pão com linguiça e joelho de porco. Com o novo negócio, Anchieta contratou a atendente Raiane de Oliveira, 24 anos.

“Depois de ter trabalhado por três anos em um restaurante, fiquei desempregada e passei mais de um ano pegando bicos. Mas trabalho com carteira assinada é muito melhor pela segurança que traz para a gente”, diz a jovem. Anchieta agora espera o sucesso do empreendimento para que possa contratar mais um funcionário.

Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Ibmec, professor Márcio Salvato, empresas de tamanho menor têm maior mobilidade em momentos de crise e na etapa de retomada do mercado.

“Elas conseguem responder melhor tanto para diminuição quanto para o aumento do quadro de pessoal. Já as médias e grandes empresas precisam de projetos de investimento e horizontes mais bem definidos. As pequenas, não. O mercado começou a responder agora e elas apostam primeiro”, afirma.

As micro e pequenas empresas do comércio, como a de Anchieta Maciel, ajudaram a criar um saldo de 690 postos de vendedor em outubro. Mas dentre as ocupações com maior geração de emprego em MPEs no Estado, o destaque ficou com a construção, com 1.141 vagas de serventes de obras e 517 de pedreiros.

Todos os números foram compilados pelo Sebrae-MG a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. “As micro e pequenas empresas têm uma representatividade forte. Elas somam 99% dos estabelecimentos em Minas e quase 59% do mercado de trabalho no Estado, bem como 50% da massa salarial”, diz Bárbara Alves, analista de Inteligência do Sebrae-MG.


Maior parte dos contratados tem ensino médio e ganha R$ 1.258

A microempresária Nalu Saad também tem conseguido reinserir pessoas no mercado de trabalho. Desde que começou as operações, em setembro do ano passado, a sua “Bolo Doce Bolo”, que produz bolos caseiros e para comemorações, já contratou três pessoas.

“Acreditamos que conseguiremos chegar a setembro do ano que vem com cinco funcionários contratados”, torce Nalu. “Só para uma das vagas, anunciadas entre agosto e setembro, recebi quase 300 currículos. E aparecem pessoas com boa qualificação, inclusive com curso superior, para receber um salário básico na área de panificação”, revela a empresária, que conta com a ajuda dos filhos e do marido nas atividades.

Doce Bolo Doce

Mara Costa é uma das funcionárias da “Bolo Doce Bolo”, inaugurada em setembro de 2016, no Caiçara

 

Ainda de acordo com a análise feita pelo Sebrae, mais de 70% dos postos criados (3.562) nas micro e pequenas empresas em Minas, em outubro, foram ocupados por homens. Além disso, a maior parte dos contratados tinha ensino médio completo ou superior incompleto. O salário médio para os empregados foi de R$ 1.258.

Região Metropolitana

Na capital, foram criadas 2.630 vagas em MPEs. Contagem abriu 621 e Betim, 337. Além do Centro do Estado (4.029), as vagas em MPEs em Minas foram puxadas pelos grandes pólos do Triângulo e Norte. Uberlândia criou 607 empregos e Montes Claros, 312.
Devido à sazonalidade agrícola, houve queda em cidades produtoras de café do Sul de Minas, como Machado (menos 204 vagas em MPEs) e Varginha (menos 189). A região teve saldo negativo de 1.046 vagas nas pequenas empresas.

A analista de Inteligência do Sebrae-MG, Bárbara Alves, pondera que, apesar do alívio, o momento ainda não é de euforia. Para ela, é necessário que o mercado de trabalho continue a mostrar sinais de recuperação. “É preciso considerar que o nível de desemprego (12,2%) ainda é muito elevado, o que impacta o setor de comércio e serviço, já que ter uma grande fatia da população sem trabalhar afeta negativamente o consumo. Os dados mostram uma recuperação gradual e lenta”, diz.

Ela observa ainda que parte das contratações de outubro pode ter relação com as vagas abertas pelo comércio para as vendas de Natal.
Os dados não capturam possíveis alterações decorrentes da nova legislação trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro.