O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Leitão, que assumiu a pasta há quatro meses, tem pela frente a missão de dar continuidade ao mapeamento da produção cafeeira em que Minas Gerais, projeto pioneiro do Estado. Em entrevista ao Hoje em Dia, Leitão detalhou a reforma do Parque da Gameleira, que recebeu na última semana a 57ª Exposição Estadual de Agropecuária, e ressaltou que os esforços da secretaria serão convertidos na manutenção de um calendário anual forte para o agronegócio em Minas. 

A reforma do Parque da Gameleira era uma reivindicação antiga dos produtores. Quando o Estado percebeu que era a hora de realizar as intervenções?
A necessidade em se realizar obras no Parque da Gameleira foi um movimento que cresceu quando se aventou a possibilidade de acabar com o lugar. A partir desse momento, o governador Fernando Pimentel resolveu agilizar essa reforma, que teve recursos disponibilizados por meio da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais). Foram gastos quase R$ 5 milhões, mais precisamente R$ 4,6 milhões em uma revitalização que contemplou a reestruturação de todas as partes elétricas e hidráulicas. O curral foi refeito e os 16 pavilhões, reformados. Tudo isso é muito importante neste momento, já que o agronegócio é o setor mais cresce em Minas Gerais. Sem contar que o Parque da Gameleira tem um lado afetivo aos mineiros, um lado de tradição. O espaço foi inaugurado em 1938 por Getúlio Vargas e a partir de então a Gameleira se tornou um sinônimo de um lugar especial para criadores de diversas raças. E neste momento, em que nós completamos a 57ª Exposição Estadual Agropecuária, vejo que o local é um espaço perfeito para diálogo entre o homem do campo e a cidade.

Após a reforma, o que o produtor pode esperar do parque enquanto palco para realização de eventos do setor? 
Além do espaço específico para os animais, após a revitalização, passamos a contar com um curral todo moderno, ambientalmente sustentável, que traz mais conforto aos animais. Temos uma área exclusiva para a realização de leilões, além de sinal de internet gratuito em todo o lugar. O que pretendemos é tornar o Parque da Gameleira um setor mais amplo, envolvendo várias atividades do agronegócio. Não à toa trouxemos um pavilhão de flores e de piscicultura na última exposição estadual. Nossos esforços vão se concentrar para que junto à Prefeitura de Belo Horizonte possamos fazer um calendário anual forte do setor e esperamos que a Gameleira seja a grande vitrine.

“O que pretendemos é tornar a o Parque da Gameleira um setor mais amplo, envolvendo várias atividades do agronegócio. Não à toa trouxemos pavilhão de flores e de piscicultura na última exposição. Nossos esforços vão se concentrar para que, junto à Prefeitura de Belo Horizonte, possamos ter um calendário forte do setor”

Além da reforma do Parque da Gameleira, quais ações a secretária têm feito para trazer mais eventos agropecuários para o Estado e para Belo Horizonte? 
Neste ano, em Belo Horizonte, vamos ter o maior evento de criadores de gado de leite do país, que é a Megaleite, que será realizada na Gameleira, no dia 28 julho. Teremos também o maior evento de café do país, que é a Semana Internacional do Café, em outubro, no Expominas. Para este ano, Minas Gerais vai entregar para o país esses dois grandes eventos e isso já é uma grande resposta do Estado ao agronegócio.

Nós próximos anos, já temos eventos marcados no calendário do Parque da Gameleira?
A Megaleite e a Semana Internacional do Café já nasceram com essa ideia de se fazer algo programado. Com o apoio da Codemig, nós estamos prevendo recursos para que eles aconteçam nos Estado pelos próximos dois, três anos. As políticas públicas precisam ser voltadas para garantir essas feiras de maneira constante. Não à toa trazemos todos os anos a exposição estadual, que vem justamente para não quebrar a tradição. Muitos criadores utilizam o espaço para trazer raças novas e ter acesso a outras. Tivemos a Exposição Nacional do Pônei, neste ano, na Gameleira. Precisamos permanecer com essas ações, independente do governo e da situação.

Pedro LeitãoSecretário Pedro Leitão

A safra de café começa a dar sinais de recuperação, mas alguns produtores anteciparam a colheita. Outras culturas, como a batata, tiveram grandes produções, com prejuízos pelo excesso de oferta. Quais ações a secretaria tem tomado para minimizar esses impactos ao agricultor?
A secretaria é um espaço de articulação. Trabalhamos muito forte com a Emater, dando assistência técnica ao produtor rural, pequeno, médio e grande. Trabalhamos forte com a Epamig, fazendo muitas pesquisas e só este ano vamos lançar três novos viveiros de café, inclusive com culturas resistentes a pragas, para aumentar a produtividade. Também estamos junto ao IMA na defesa agropecuária. Para fomentar esses setores e fazer com que a produção cresça, precisamos, principalmente, trabalhar a informação com o agricultor, que é um insumo muito importante. Por exemplo, no café, estamos entregando até o ano que vem o mapeamento de todo o parque cafeeiro de Minas Gerais, via satélite e por terra. É uma informação preciosa. Vamos ser o primeiro Estado do país a ter 100% de seu parque cafeeiro mapeado, inclusive com informações de qualidade de safra. Isso nos traz uma previsibilidade e um insumo muito importante para se fazer uma política pública adequada. Inclusive para o produtor não ficar na mão de especuladores, para saber se a safra do ano será maior ou menor. Quando temos a informação precisa, conseguimos negociar.

“Vamos entregar, até o ano que vem, o mapeamento de todo o parque cafeeiro de Minas Gerais, via satélite e por terra. Essa é uma informação preciosa. Vamos ser o primeiro Estado do país a ter 100% de seu parque cafeeiro mapeado, inclusive com informações de qualidade de safra. Isso traz para gente uma previsibilidade” 

Como está sendo realizado esse mapeamento?
O mapeamento do parque cafeeiro é um consócio que o governo de Minas realiza por meio de Codemig, Emater, Epamig e Embrapa. Nós não só contratamos uma empresa, mas também desenvolvemos uma tecnologia e uma metodologia de como mapear esse parque cafeeiro, tanto via satélite quanto por terra. Tiramos as fotos aéreas e isso é validado com informações em solo sobre safra, qualidade e tipos de café, que podem ser de propriedades certificadas ou não. Vamos montar e entregar um geoportal que abre portas. E se apreendemos a fazer com o café, podemos utilizar em outras culturas. 

Os produtores terão acesso a todas as informações, podendo colaborar com esse novo sistema?
Sim, será um portal aberto a todos, e acreditamos que com essas informações podemos fazer uma política pública mais adequada, já que teremos condições de saber onde a produtividade realmente caiu ou aumentou, e em qual lugar precisamos melhorar a qualidade do insumo. A grande questão do café não é produzir mais, e sim ter mais qualidade. É agregar mais valor ao produto existente. 

O governo de Minas, no mês passado, preparava edital para conceder o direto de uso do Expominas à iniciativa privada, junto com o Minascentro. Isso afeta o Parque da Gameleira?
O que posso dizer é que estamos entregando um parque totalmente revitalizado, pronto para receber mais eventos e atender à demanda dos produtores. A parceria com o setor privado é sempre importante, mas hoje o interesse é que o local seja preservado. Em Minas temos uma questão muito forte que é a tradição. A Gameleira não é só um lugar do agronegócio. Afetivamente, ela é um espaço que reforça o homem do campo e acho que manter isso, principalmente a identidade do espaço, é importantíssimo e tem que ser considerado. 

Quais serão seus próximos passos à frente da Secretaria de Agricultura, Agropecuária e Abastecimento?
Nós temos tentado buscar várias parcerias para fortalecer o setor do agronegócio em Minas. Hoje, sem nenhuma modéstia, somos a locomotiva que tem puxado o desenvolvimento de Minas Gerais, por causa desse dinamismo. Pretendemos ter na secretaria um posicionamento mais estratégico. Isso pode vir, por exemplo, da análise de regiões que podem plantar outras culturas e que não plantam, que precisam ser desenvolvidas, como o Norte de Minas, através de revitalização de rios e bacias. Queremos fazer também um grande projeto de certificação. O Estado quer ampliar muito a certificação de produtos, sabendo a origem, a qualidade e as questões ambientais de cada um. Acreditamos que esse processo trará um salto de qualidade ao setor em Minas. 

Pretendemos ter na secretaria um posicionamento mais estratégico. Isso pode vir da análise, por exemplo, de regiões do Estado que podem plantar outras culturas e que atualmente não plantam

O portal do produtor, recentemente inaugurado, pode contribuir para o aumento desse processo de certificação?
Ajuda e muito, principalmente em uma questão que acho muito importante que é o Estado. Se ele não pode ajudar, ele não deve atrapalhar. E colocar no ar um portal em que o produtor pode lançar uma guia de GTA (Guia de Trânsito Animal) através da internet, ou fazer uma outorga de uso insignificante de água, facilita tudo. Antes o produtor tinha que enfrentar fila, ir no escritório e preencher vários formulários, esperar e ainda correr o risco de ser multado, porque esse processo podia demorar. Hoje, poder fazer isso de casa é um avanço. O Estado tem que destravar todos os gargalos possíveis.