CATALÃO (GO) – A Entrada da Fiat Toro reacendeu uma chama que andava quase apagada no mercado de automóveis, a das picapes que fazem as vezes de automóvel de passeio. De lá para cá, Chevrolet, Toyota e Volkswagen já apresentaram derivações de alto luxo de suas picapes. Agora chegou a vez da Mitsubishi, com a L200 Triton Sport HPE-S, justamente para aquele consumidor que procura algo para satisfazer seu estilo de vida e não para carregar sacos de cimento ou ração. 

Assim, faz-se necessário voltarmos no tempo. A moda das “picapes de passeio” entrou em voga em meados dos anos 1980, quando os dois únicos modelos do mercado – Chevrolet D20 e Ford F1000 – se tornaram matrizes de transformadoras, que literalmente recortavam a carroceria e emendavam com placas de aço ou fibra para convertê-las em cabines duplas de luxo. O próprio Eduardo Souza Ramos, manda-chuva da HPE Automotores do Brasil, transformou muitos utilitários em carros de família que carregavam o emblema SR, alternativas para quem queria algo além de um Opala ou Santana.

Hoje o cenário é outro. O segmento de picapes passou por evoluções tecnoló-gicas tanto de ordem eletrônica quanto mecânica para atender exigências ambientais, o que acabou tendo impacto por aqui. Esses critérios demandaram investimentos e recursos elevados, o que encareceu ainda mais a picape. E não é surpresa para ninguém que picape é um carro de trabalho. E quem compra caminhonetes para a labuta pouco se importa com seus conteúdos e sim com o custo operacional e se vai dar conta do tranco.

Sendo assim, como as picapes foram obrigadas a sair do século 20, a solução foi agregar conteúdos e refinamentos para oferecê-las também como carros de luxo. A L200 Triton Sport HPE-S faz esse papel. A versão é grande novidade da linha 2019 e que visualmente só recebeu uma grade com filetes horizontais. 

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Por dentro, a L200 oferece comodidades com sistema de entretenimento com conexões Apple CarPlay e Android Auto, GPS integrado e até DVD. Bancos e volantes em couro elevam a percepção de sofisticação e os bancos traseiros inclinados tornam a viagem de quem vai atrás sofrível.

Há até um pequeno compartimento de objetos atrás do encosto onde cabem volumes como mochilas ou maletas. No quesito segurança, a HPE-S tem nove airbags, além de controles de estabilidade (ESP) e tração, assistentes de partida em rampa, tanto para subir como para descer. 

Sob o capô, a versão mantém o motor 2.4 turbodiesel de 190 cv e 43,9 mkgf de torque, que são mais que suficientes para as quase duas toneladas da picape. Na versão HPE-S, a defasada transmissão automática de cinco marchas trabalha junto com o sistema de tração 4x4 Super Select II, com seletor eletrônico com quatro posições (4x2, 4x4, 4x4 com bloqueio central de diferencial e 4x4 reduzida).

Ao preço de R$ 174.900, ela orbita na faixa de preços de jipinhos de luxo alemães, mas com a diferença de ser um veículo feito para transpor terrenos acidentados, alagados e com capacidade de carga de 1 tonelada. 

Para quem busca apenas se reafirmar com a aquisição, seria como usar um canhão para matar uma barata. Mas se o negócio é ter um veículo que oferece comodidade de um sedã e é capaz de ir além de onde o asfalto acaba, aí faz sentido.