BUDAPESTE - A Hungria declarou nesta quinta-feira (30) ter sido vítima das escutas dos Estados Unidos e ameaçou com possíveis mudanças profundas em suas relações com Washington.
 
"É evidente que o serviço de inteligência americano possui informações sobre a Hungria", declarou à imprensa o secretário de Estado, Janos Lazar.
 
"O escândalo das escutas americanas pode modificar profundamente a natureza das relações entre Hungria e Estados Unidos", acrescentou Lazar, encarregado do gabinete do primeiro-ministro, Viktor Orban.
 
O ministro húngaro das Relações Exteriores, Janos Martonyi, disse que esperava "poder restabelecer o nível de confiança" entre Hungria e Estados Unidos, dois países aliados e amigos. Os dois ministros fizeram estas declarações após uma reunião da comissão parlamentar criada para estudar as eventuais atividades na Hungria da Agência Nacional de Segurança (NSA) americana, encarregada de interceptar comunicações.
 
A comissão, cujos debates são confidenciais, foi criada em dezembro, após as revelações do ex-agente da NSA Edward Snowden. A próxima embaixadora americana em Budapeste, Colleen Bell, já foi convocada a depor perante a comissão.
 
O programa de espionagem da NSA e os protestos desencadeados por sua revelação na Europa serão tratados na 50ª Conferência de Segurança de Munique, que reunirá no fim de semana no sul da Alemanha autoridades da defesa e da diplomacia.