O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participou nesta quinta-feira pela primeira de uma sessão da Assembleia Constituinte e afirmou que se coloca às ordens dessa instância.

"Reconheço os poderes plenipotenciários para reger os destinos da República e me subordino a eles", afirmou Maduro ante os 545 membros da Constituinte.

O gesto é meramente simbólico, uma vez que a Constituinte foi convocada por Maduro e está sob controle absoluto de seus partidários, incluindo a esposa dele, Cilia Flores.

Apesar das críticas da comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, que desconhecem a Constituinte, Maduro defendeu a iniciativa afirmando que ela surgiu do clamor de se chegar a um diálogo.

O presidente também disse que a Constituinte vai neutralizar a violência, que deixou ao menos 122 mortos e quase 2 mil feridos.

Desde a instalação, em 4 de agosto, a Constituinte não deixou dúvidas de que os poderes são virtualmente ilimitados e que estaria disposta a usá-los contra a oposição.

Naquele que foi um dos primeiros atos oficiais, a Constituinte abriu espaço para destituição da procuradora-geral da República, Luisa Ortega, ex-aliada de Maduro. Os constituintes também tentam impor o controle sobre o restante dos poderes, enquanto o Congresso, que é controlado pela oposição, insiste em desconhecer suas decisões.

O ato da Assembleia Constituinte ocorreu horas depois de manifestantes bloquearem as vias ao leste de Caracas.

Apoio

O governante de Cuba, Raúl Castro, manifestou em uma carta enviada a Maduro o respaldo ao processo constituinte e disse que Havana está comprometida com Caracas. "Seguramente, veremos dias de forte luta, de acusações internacionais, de bloqueios e limitações", disse Castro.

Fonte: Associated Press.

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