A companhia brasileira Condor Não Letal reconheceu neste sábado (17) que abastece as forças de segurança da Venezuela com grandes quantidades de gás lacrimogêneo utilizado no controle das manifestações contra o governo do presidente Nicolás Maduro, indignando a oposição venezuelana.

A empresa com sede no Rio de Janeiro confirmou que tem contratos com o governo venezuelano depois que dirigentes da oposição apresentaram documentos que, segundo eles, mostram que as forças armadas compraram 78 mil cartuchos de gás lacrimogêneo em abril.

Os oponentes de Maduro dizem que pediram às autoridades brasileiras, que têm sido críticas à repressão aos protestos, bloqueiem a entrega de gás lacrimogêneo, mas até agora não receberam resposta.

"Não julgamos as políticas de nossos clientes", disse a Condor em um comunicado. "Mas entendemos que a suspensão da entrega de materiais como gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha pode ter consequências drásticas, pois deixaria as forças de segurança sem outra alternativa a não ser usar armas de fogo", completou.

O presidente Michel Temer é um dos mais duros críticos de Maduro, e no ano passado encabeçou um intento para que o governo venezuelano fosse expulso do Mercosul.

Maduro, por sua vez, taxou Temer de "assassino político", após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Fonte: Associated Press.