O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiu comércio, imigração e o financiamento da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, nesta sexta-feira, no primeiro encontro dos dois líderes desde a eleição norte-americana, em novembro.

Ambos disseram que a reunião foi produtiva e reafirmaram os laços entre os países. Trump começou dizendo reconhecendo a importância da Otan, mas reiterou seu pedido para que os aliados do outro lado do Atlântico façam mais para contribuir com o orçamento da organização militar.

O norte-americano também voltou a defender que ambos os países deveriam trabalhar em uma política comercial que beneficiasse ambos os lados. Desde a campanha presidencial, o republicano vem tecendo críticas ao governo em Berlim e também de outros países, que estariam, a seu ver, prejudicando os Estados Unidos ao se aproveitarem, por exemplo, de um euro desvalorizado para promover indevidamente suas exportações.

"Não sou isolacionista, mas defendo o comércio justo", afirmou a um jornalista que o questionou por sua postura protecionista. "Não queremos uma situação igualitária, queremos justiça", completou.

Merkel, por sua vez, reiterou seu apoio ao livre comércio e disse concordar com o republicano que as trocas entre os países precisam ser uma situação de "ganha-ganha" para todos. Nesse sentido, ela pediu a volta das negociações do acordo comercial entre os EUA e a União Europeia.

A chanceler alemã também elogiou o compromisso assumido por Trump em relação à Otan e disse que seu governo está trabalhando para atingir a meta de contribuição com os gastos militares da Otan. "A Alemanha vai continuar a trabalhar em direção à meta de 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB) de gastos com a Defesa", prometeu.

Os dois líderes disseram que irão trabalhar conjuntamente na questão da imigração e que o tema é importante para a segurança interna. "A imigração é um privilégio, não um direito", disse Trump, reiterando seu compromisso na proteção dos cidadãos norte-americanos e na luta contra o terrorismo. Merkel, por sua vez lembrou que o enfrentamento da questão também precisa contemplar a ajuda ao desenvolvimento de países ameaçados por conflitos.

Trump, por fim, voltou a acusar o governo de Barack Obama de colocar escutas durante a campanha presidencial de 2016. "Ao menos temos algo em comum", disse, apontando para Merkel. Em 2014, foi revelado que o governo norte-americano, com o conhecimento de Obama, montou uma operação de espionagem em larga escala sobre o governo alemão, incluindo a chanceler. Na coletiva de hoje, Merkel preferiu não comentar o assunto.

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