Jovens imigrantes levados para os EUA quando crianças e que agora estão no país ilegalmente podem "ficar tranquilos", disse o presidente Donald Trump, em entrevista à Associated Press veiculada na sexta-feira, dizendo que os "sonhadores" (como são conhecidos esses imigrantes) não devem ser alvo de deportação sob sua política de imigração.

Na entrevista concedida no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse que o seu governo "não está atrás dos sonhadores". "Estamos atrás dos criminosos." Como candidato, Trump criticou fortemente o então presidente Barack Obama por "anistias executivas ilegais" na política de imigração, incluindo ações para poupar jovens que foram trazidos para o país quando crianças e agora estão aqui ilegalmente de serem deportados. Mas após a eleição, Trump começou a falar mais favoravelmente sobre esses imigrantes. Na sexta-feira, ele disse que, quando se trata dos "sonhadores", "este é um caso de coração".

Nesta semana, os advogados de Juan Manuel Montes disseram que o jovem de 23 anos foi recentemente deportado para o México apesar de se qualificar para permanecer no país. Trump disse que o caso de Montes é "um pouco diferente do caso dos sonhadores", embora ele não tenha especificado o porquê.

O programa "Ação adiada para chegadas na infância" foi lançado em 2012 como uma barreira para proteger alguns imigrantes jovens da deportação, enquanto o governo continua a pressionar por uma revisão mais ampla da imigração no Congresso.

O programa de Obama oferecia uma suspensão da deportação para imigrantes ilegais no país que possam provar que chegaram antes de 16 anos, estão nos Estados Unidos há vários anos e não cometeram crimes no país. A iniciativa também fornece licenças de trabalho para os imigrantes e é renovável a cada dois anos. Em dezembro, cerca de 770 mil jovens imigrantes haviam sido aprovados para o programa.

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O presidente, que adotou uma linha dura sobre a imigração como candidato, prometeu de novo cumprir sua promessa de construir um muro ao longo da fronteira entre EUA e o México. Mas ele desistiu de pedir que o financiamento para o projeto fosse incluído na proposta de Orçamento do Congresso deve aprovar no fim da próxima semana a fim de manter o governo funcionando. "Eu quero o muro na fronteira. Minha base definitivamente quer o muro na fronteira", disse Trump. Questionado se ele assinaria uma lei que não inclua dinheiro para o projeto, ele disse: "Eu ainda não sei." Durante toda a campanha, ele tinha firmemente e repetidamente garantido que o México, e não os contribuintes norte-americanos, pagaria pelo muro.

O presidente disse na sexta-feira que usou seus primeiros 100 dias no cargo colocando a "fundação" para o progresso posterior de sua administração, inclusive construindo relacionamentos com líderes estrangeiros. Ele citou a chanceler alemã, Angela Merkel, como uma líder que ele ficou surpreso por ter desenvolvido uma conexão, dado que ele havia sido crítico de seu tratamento de políticas de imigração.

Trump afirmou ainda que é "possível" que os EUA recuem do acordo nuclear com o Irã forjado por Obama e outros cinco líderes mundiais. Ele disse que acredita que as ações desestabilizadoras do Irã "em todo o Oriente Médio e além" violam o espírito do acordo, embora o Departamento de Estado esta semana tenha certificado que Teerã está cumprindo com os princípios do acordo voltado para reduzir o programa nuclear do país.

O presidente também demonstrou apoiar uma linha dura sobre Julian Assange, o fundador do WikiLeaks. O procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, disse que a prisão de Assange é uma prioridade para o Departamento de Justiça, uma vez que aumenta os esforços para processar pessoas que vazam informações sigilosas para a mídia. O presidente disse que não está envolvido no processo de tomada de decisão sobre acusações contra Assange, mas que apoiaria essa ideia.