"Trabalhava em um projeto em São Paulo, fui transferido para Perdões (cidade do interior de Minas) e percebi que o município não propiciava oportunidades de trabalho e educação. Mas os moradores jovens gostavam da cidade e queriam ficar por lá. Então pensei 'por que não empoderar as pequenas cidades para que elas mesmas façam as transformações sociais?'", assim começou o embrião do projeto Nossa Cidade, de Renato Orozco. 
 
Cerca de três anos depois, o Nossa Cidade foi o vencedor do 2° Baanko Challenge Social Beagá, cujos objetivos principais foram incentivar e capacitar oito projetos sociais de impacto, chamados de PSIs, selecionados entre mais de 30 interessados. 
 
O evento, iniciado no dia 27 de junho, teve o encerramento ontem, durante o dia inteiro no Plug Minas. Durante as três semanas recheadas de workshops e troca de conhecimentos e experiências, o Nossa Cidade desenvolveu um jogo de tabuleiro para disseminar a ideia de empoderamento - disponibilizado para download no próprio site.
 
2º Baanko Challenge
 
Cerca de cem pessoas participaram durante todo o sábado de palestras e intervenções musicais com alto astral e alegria contagiantes. O grand finale ficou por conta da definição dos vencedores pela banca formada por Flávio Tofani (Tio Flávio Cultural), Gerson Pacheco (Childfund), Márcio Rabelo (Fundação Dom Cabral), Renata Horta (TroposLab), Renato Dolabella (Fundamig) e Tânia Machado (Centro Cape).
 
"Amar é Simples" foi eleito o segundo melhor PSI e o já reconhecido "Meninas de Sinhá" ficou em terceiro. O encerramento, no entanto, foi a cereja de um evento responsável por distribuir conhecimento e criar uma rede entre atores de projetos sociais.

2º Baanko Challenge
"Nossa Cidade" foi escolhido o vencedor da 2º Baanko Challenge; em três semanas, grupo criou um jogo de tabuleiro (Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia)
 
“Conseguimos concretizar nosso site, criar uma plataforma para gerir nossos membros e voluntário e recebemos muita capacitação. O Baanko fez com que conseguíssemos enxergar nosso propósito”, conta Guiga Dias, uma das integrantes do “Amar é Simples”, cujo início foi em 2013 com uma campanha de doações para a Semana da Criança – e agora criou dimensões nacionais. 
 
Se a gincana, como os participantes a chamam carinhosamente, serviu para incentivar um projeto ainda inicial, teve a mesma importância para um grupo consolidado: As Meninas de Sinhá, criado em 1996. “O evento trouxe voluntários capacitados para nosso projeto, que sabiam o que precisávamos. Melhoramos nosso site, nossa rede social e, mais do que isso, propiciou uma rede de voluntários”, diz a produtora Patricia Lacerda.
 
Mesmo com a definição dos três melhores, todos os oito PSIs selecionados receberam prêmios, como programas e cursos da Fundação Dom Cabral e do Sebrae – ao todo, o Baanko teve mais de 40 parceiros. "Mais do que premiação, nosso grande prêmio foi ver a evolução do primeiro dia para hoje. Fantástico. Conseguimos premiar todo mundo graças aos nossos parceiros. Desde os projetos que já tinham uma rotina e conseguiram se dedicar até os projetos que nasceram aqui. Todo mundo vitorioso", afirmou André Lara Resende, criador do Baanko Challenge.
 
Por um mundo melhor
 
O 2º Baanko Challenge Beagá escolheu um PSI para cada objetivo do milênio, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) - confira no infográfico. Foram oito escolhidos entre 35 interessados. Para acompanhar a evolução dos projetos durante as três semanas, 80 voluntários - entre desenvolvedores, programadores e designers - foram distribuídos.
 
O Baanko deu corpo a projetos que eram apenas uma ideia. "Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e, em abril deste ano, surgiu um "insight" ao andar pelo percurso de rios escondidos até o Arrudas. Pensei, então, em trazer o convívio dos rios para a cidade", diz Isabela Izidoro, responsável pelo coletivo.
 
Até o início da gincana, Isabela brinca que o Às Margens era apenas uma ideia com duas pessoas - uma colega de curso comprou a ideia. "Foi um divisor de águas. Agora temos mais de 13 parceiros, um coletivo, um site, um fanpage, já realizamos intervenções e temos outras planejadas", afirma, empolgada.

baanko challenge
Banca formada por representantes de parceiros, como Fundação Dom Cabral, Childfund, TroposLab,
Tio Flávio e Fundamig, definiu os vencedores (foto: Lucas Prates/Hoje em Dia)

 
Já o "Vírus do Bem" terminou as três semanas com um aplicativo pronto, disponibilizado para qualquer smartphone. "O app chama-se IVB APP e, com um clique, o doador pode encontrar instituições já cadastradas com o donativo que necessita. Aí ele pode escolher pela proximidade da casa dele ou a que atender o público que ele desejar", explica Khacyos Rezende, criador do projeto.
 
Hoje, o "Vírus do Bem" já atingiu a capacidade máxima ao atender 100 mil pessoas, 25 mil pessoas e coletar, em média, 5 mil itens por mês. Uma realidade inimaginável em 2011, quando Rezende mobilizou conhecidos pela internet para ajudar uma prima que teve a residência incendiada. 
 
'Revolução na educação'
 
Foi justamente numa instituição de ensino, no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet), que Leonardo Rodrigues teve uma ideia para revolucionar o ensino. Ambicioso, o então aluno quis levar para outras escolas um projeto desenvolvido no Cefet que unia arte, tecnologia e ciência.
 
"Ouvimos um menino de 7 anos que tinha uma imagem de que a escola é uma máquina que não faz nada pelas pessoas. Meu Deus, isso é muito preocupante. Então pensamos na "Escola Maker", que leva conhecimento aos alunos de uma maneira transidisciplinar, com uso de games, trabalho em equipe e experimentação", conta Rodrigues, que conseguiu desenvolver um site e uma identidade visual para o PSI.
 
"Observando seu Bebê" até mudou o nome após a gincana. "O Baanko potencializou tudo o que era feito informalmente. Há um ano e meio, quando descobri que meu filho tinha alergia a leite, passei a estudar e identificar quantos tabus e informações erradas sobre o assunto existem. Meu objetivo é que todos entendam as peculiaridades da alergia alimentar infantil", explica Cynthia Araujo - o projeto agora tem logomarca, fanpage, site e até camiseta.
 
Por fim, "Capec" nasceu há oito anos, quando dois amigos trabalhavam em uma instituição que faliu e decidiram usar o seguro desemprego para ser protagonistas. "Nosso objetivo é fortalecer as pessoas carentes com câncer para que elas tenham força e êxito no tratamento", explica Daniel Luiz Sales, que hoje atende 90 pessoas em 12 programas e, em breve, pretende inaugurar a sede e passar a atender 700 pessoas diretamente e 2 mil indiretamente.


Arte