O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nessa segunda-feira (9) que novas cédulas entram em circulação na semana que vem, em 16 de janeiro, após um atraso de um mês que provocou conflitos no país, deixando pelo menos quatro mortos. A informação é da Agência France Press.

"Pedi que, a partir de segunda-feira, 16 de janeiro, os novos bilhetes comecem a entrar em circulação", anunciou o presidente em reunião com empresários, divulgada por emissoras de rádio e televisão.

De acordo com Maduro, o Banco Central recebeu da empresa fabricante 60 milhões de unidades de notas de 500 bolívares, 4,5 milhões de 5.000 e 2,9 milhões de 20.000. Segundo ele, essas cédulas "vão para a rua".

A forte desvalorização da moeda local e a inflação - a mais alta do mundo - obrigou o governo a atualizar os valores disponíveis. A cédula de mais alto valor, a de 20.000 bolívares, vai superar em 200 vezes a de 100 (equivalente a US$ 0,15).

Esse bilhete saiu de circulação em 15 de dezembro, mas atrasos em sua substituição causaram falta de dinheiro e graves confrontos. Quatro pessoas morreram e centenas de lojas foram saqueadas.

Diante disso, Maduro teve de prorrogar duas vezes a vigência da nota de 100. Segundo ele, a retirada ocorreu por causa das "máfias" que retêm esse papel-moeda nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil. Maduro alegou que o objetivo seria desestabilizar a economia venezuelana.

O presidente disse ainda que, com essa medida "audaciosa e necessária", o governo conseguiu recuperar 80% do total de notas de 100 bolívares.