Os anos 1960 fatalmente foram a década dos Muscle Cars, o grandalhões norte-americanos, de acabamento simples e motores imensos. Naquela época, havia duas vertentes, os Muscle “de raiz” encabeçados por modelos de grande porte como Dodge Charger e Pontiac GTO e os compactos Pony Cars, liderados maciçamente pelo Ford Mustang, que vendia centenas de milhares a cada ano. 

Apesar de a Ford ter no portfólio modelos como Galaxie, Thunderbolt e Torino, suas torneiras escorriam dinheiro com o Mustang. Por outro lado, General Motors e Chrysler disputavam no tapa os segmentos de maior porte. 

De um lado estavam os primos Pontiac GTO, Chevrolet Chevelle, Buick Skylark e Oldsmobile 442, da GM. Do outro, o todo-poderoso Dodge Charger. Em 1968, a Chrysler viu que era preciso ampliar a participação e colocou no mercado o Plymouth Road Runner, que era quase gêmeo do Dodge Coronet e que também compartilhava a plataforma B-Body do Charger.

O nome remetia ao nome popular do Geococcyx Californianus, que ficou mundialmente conhecido como o Papa-Léguas da Warner. A Chrysler, inclusive, licenciou a imagem do passarinho e seu clássico bordão: Beep-Beep.

Era equipado com motores V8 383 (6.3 litros) de 339 cv e o exagerado Hemi 426 (7.2 litros) de 430 cv, que faziam do Road Runner um verdadeiro foguete nas provas de arrancada. Tanto que em 1968 a Plymouth previa vender 20 mil unidades, mas fechou o ano com 45 mil carros licenciados. 

O sucesso foi tanto que a Chrysler lançou em seguida o Dodge Super Bee, um Road Runner com emblema Dodge. O cupê ficou em linha até 1980, mas foi a edição Super Bird (com bico de tubarão e imenso aerofólio para correr na Nascar) que fez dele um clássico.