Em novembro de 2014, mês em que as primeiras oitivas de Alberto Youssef na “Lava Jato” terminaram, o engenheiro Eberson Rocha recebeu uma informação que iria mudar completamente a vida que levava: o governo havia suspendido o repasse de verbas da grande obra que ele supervisionava e ela iria parar. Quatro meses depois, ele foi demitido, assim como as outras 350 pessoas que trabalhavam no empreendimento.

“A empresa tinha oito engenheiros, centenas de funcionários e outros projetos. Hoje, são apenas duas pessoas em um escritório. Não conheço quase ninguém da minha área que está empregado. Todo o setor está parado”, lamenta o engenheiro, que possui larga experiência.

Eberson é um dos milhares de trabalhadores da construção pesada que perderam o emprego entre 2014 e maio deste ano. No período, quase 300 mil vagas foram encerradas na construção pesada, 12,8% dos 2 milhões de postos fechados em todas as áreas no país. Na construção civil o rombo foi maior: quase 650 mil empregos desapareceram, o equivalente a 31% do total, segundo dados do Caged. 

Enquanto algumas obras andam a passos de tartaruga, outras estão paradas. Entre elas, a duplicação da BR-381, tocada pelo consórcio Isolux-Corsán/Engevix. Envolvida na “Lava Jato”, a Engevix deixou o consórcio em 22 de junho deste ano. 

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“Enquanto essas obras não voltarem à ativa, não há expectativa de melhora no cenário de empregos”, ressalta o diretor executivo do Sinicon, Petrônio Lerche Vieira. Priorizar o investimento também é crucial, conforme enfatiza o representante da entidade da construção. 

Os desvios de recursos também afetam o custo da logística e, consequentemente, do frete e do produto que chega ao consumidor. Afinal, quando há uma redução sistemática nos investimentos, o custo do transporte é elevado. E repassado. “No Brasil, o custo da logística representa 15% do PIB. No Canadá, que tem estrutura similar à brasileira, o custo é de 9%. O caminho a percorrermos é longo”, critica.

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