Marcado para ser realizado de 21 a 23 de novembro, o leilão de equipamentos da Petrobras que seriam utilizados na implantação de uma fábrica de amônia em Uberaba (Triângulo Mineiro) foi adiado por 60 dias, após uma reunião entre as Comissões de Minas e Energia e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (14). 

A gerente-geral de Projetos Especiais de Aquisições e Desinvestimentos da Petrobras, Márcia Springer, que anunciou o adiamento, explicou que será montado um grupo de trabalho, com a participação de representantes do Governo de Minas e da Petrobras, para avaliar novas possibilidades para a retomada da obra, especialmente a identificação de um potencial investidor para parceria no modelo de sociedade de propósito específico (SPE).

“Estamos com uma expectativa grande de conseguir um final feliz para essa história. O maior gasto feito nessa fábrica foi nosso e nada nos deixaria mais felizes do que encontrar um investidor interessado”, frisou a gerente-geral.

Desde o início do projeto, em fevereiro de 2014, uma série de empecilhos dificultaram que o projeto da fábrica saísse do papel, segundo Márcia Springer. “Primeiro tivemos a postergação da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) para a construção do gasoduto, que iria de Queluzito (Central) a Uberaba. Depois tivemos a revisão da curva de oferta de gás natural e a consequente suspensão por 120 dias do consórcio. Somados a isso, a Petrobras passou por momentos complicados. Mesmo assim, repensamos o modelo de negócio, mas nenhuma empresa demonstrou interesse em investir”.

Gasoduto 

A Gasmig garantiu que não medirá esforços para a construção do gasoduto e o fornecimento do gás para a fábrica de amônia. “Inclusive já está viabilizada a linha tronco do gasoduto de Queluzito. Não temos problemas nenhum na parte administrativa, nem de engenharia. Não nos furtaríamos num projeto dessa envergadura”, garantiu diretor comercial, Danilo de Siqueira Campos

Ainda segundo o diretor, a Iara Fertilizantes teria procurado a empresa interessada em investir na UFN–V.

O prefeito de Uberaba, Paulo Piau Nogueira, falou da importância da unidade para o Triângulo Mineiro e para o agronegócio brasileiro. “Estamos alicerçados no agronegócio e consumimos 80% de fertilizantes estrangeiros. Isso é um absurdo! Essa planta é viável sim e colocá-la em funcionamento só depende de nós”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, Romeu Borges de Araújo Júnior, sugeriu ao prefeito que a Mosaic Fertilizantes, empresa sediada na cidade, possa ser a investidora, contando com incentivos fiscais estaduais. “Se nacionalmente não tivermos apoio, que ele venha de uma empresa da própria região”, ponderou.

* Com ALMG

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