Ao contrário do que foi planejado e até anunciado durante a assinatura de um protocolo de intenções entre a Oi e o governo do Estado em março do ano passado, o Centro Cultural Oi Futuro não vai mais integrar o Circuito Cultural Praça da Liberdade. O projeto, que previa um jardim sensorial, instalações multimídias, galerias de arte, além do Museu de Telecomunicações e de um teatro, seria instalado nos prédios do Palacete Dantas e do Solar Narbona. Segundo a Oi, a mudança de planos se deve à nova política cultural do atual governo do Estado.


Em nota, a empresa informou que “busca alternativas para instalação do Centro Cultural em Belo Horizonte, em consonância à intenção da Secretaria de Estado da Cultura de orientar o Circuito Cultural Praça da Liberdade para um novo conceito, como já declarado pelo secretário de Estado da Cultura”.


A alteração de projetos já previstos para o Circuito foi abordada pelo Hoje em Dia na edição do dia 8 de maio. Na ocasião, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que faz a gestão do projeto, informou que estava em negociação com a Oi para manter o centro cultural no local previsto. O entrave, segundo o Iepha, era o valor da obra, orçada em R$ 40 milhões.


Alternativas


A Oi, que não mencionou nenhuma dificuldade financeira, informou que busca alternativas para manter a instalação do projeto na capital mineira e que, para isso, “está examinando alguns espaços sugeridos por órgãos públicos”. A empresa não detalhou quais são e onde ficam esses locais. O que é certo é que agora o projeto terá que ser iniciado do zero.


Os prazos e cronogramas estão todos suspensos, uma vez que o centro cultural, da forma como foi concebido, não sairá mais do papel. A previsão era a de que algumas atividades do centro cultural fossem abertas ao público ainda no segundo semestre.


Um dos prédios iria abrigar um teatro, com capacidade para 200 pessoas, que seria um substituto ao Teatro Klauss Vianna, que deixará em definitivo o espaço pertencente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (avenida Afonso Pena, 4001) no dia 30 de junho. Uma preocupação a mais para a classe artística que protesta contra o fim do espaço.


“A minha esperança agora é que o presidente do Tribunal mude de ideia. Não acho que a gestão queira entrar para a história como aquela que destruiu uma casa de espetáculos”, afirma o diretor, produtor e gestor cultural Pedro Paulo Cava.


Em nota, o Iepha informou que “como não foi feito nenhum comunicado oficial, ainda não descarta a instalação do Oi Futuro no Circuito Cultural Praça da Liberdade, seja no Palacete Dantas e Sobrado Narbona, com a revisão do projeto inicial, seja em outro edifício capaz de conciliar os valores das intervenções e a possibilidade de implantação do projeto”.


Segundo o Instituto, o valor da obra do projeto inicial foi considerado bastante alto e aquém do que a própria empresa poderia investir e que o volume de intervenções era muito alto para o local. Ainda assim, esclarece que a iniciativa está sendo analisada por ambas as partes.


A Oi busca alternativas para manter a instalação do projeto na capital mineira e está examinando alguns espaços