Em meio a uma crise financeira, a Copasa realiza uma reestruturação no quadro de funcionários na tentativa de adequar despesas e receitas – o último balanço apresentado pela companhia apresenta uma queda de 90% no lucro líquido. Além de trabalhar em mais um plano de demissão voluntária, a empresa anunciou o corte de 56 cargos comissionados e a dispensa de quatro diretores. Entre eles, Remulo Borges de Azevedo Lemos, que ocupava a Diretoria Técnica e de Novos Negócios, irmão do presidente da Cemig, Mauro Borges.

As diretorias de Meio Ambiente, Planejamento e Gestão de Empreendimentos e de Operação Sudoeste também tiveram os gestores exonerados. Até o meio do ano que vem, a Copasa ainda deve desligar 1.800 funcionários, de um universo de 12,6 mil, por meio do programa que já está em curso. A expectativa é de que as mudanças gerem uma economia de cerca de R$ 200 milhões.

“Ao longo dos últimos cinco anos, houve um crescimento da receita menor que o das despesas, e isso veio estrangulando o resultado da empresa. Em 2015, essa situação se agrava com a crise hídrica, que expôs essa fratura, porque houve uma campanha de redução de consumo o que, consequentemente, diminui a receita. Como a despesa se mantém, estudamos essa redução de custos”, argumenta o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Edson Monteiro.

Geração de receita

A empresa já realizou neste ano um Programa de Desligamento Voluntário Incentivado (PDVI) que culminou com a saída de 500 trabalhadores entre maio e julho. “A gente não trabalha só com redução de pessoal. Estamos trabalhando na revisão e geração de receitas. Quando você tira os prejuízos, amplia as perspectivas de negócios e investimentos mais produtivos, significa dizer que você também alavanca a receita”, afirma Monteiro.

Todas as medidas visam reverter os resultados negativos registrados pela Copasa nos últimos meses. O mais recente balanço divulgado pela empresa mostra uma redução acentuada nos lucros entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido passou de R$ 296,5 milhões em 2014, para R$ 29,1 milhões neste ano.

Enquanto isso, a despesa da empresa subiu 10,8% no mesmo período, passando de R$ 1,8 bilhão em 2014, para R$ 1,9 bilhão neste ano. “A nossa expectativa é que possamos navegar em outros mares já no próximo ano. Essa reestruturação de agora vai repercutir ao longo de 2016 e esperamos que a situação se reverta”, prevê Monteiro.

Os impactos da redução na folha de pagamento devem ser sentidos, em sua totalidade, apenas no fim do ano que vem. Isso porque o PDVI tem duração de seis meses. Ainda para 2016 são esperados o reajuste anual da tarifa cobrada pelo serviço de água e esgoto e a revisão da mesma, que já está em andamento, e pode resultar em mais um aumento.
Baixa recorde do Paraopeba implica aumento de tarifa em 2016

O nível dos reservatórios do Sistema Paraopeba, que abastecem Belo Horizonte e região metropolitana, nunca estiveram tão baixos desde que a medição começou a ser feita periodicamente, em janeiro de 2013. De acordo com informações da Copasa, o índice chegou a 21,8% no início deste mês.

No mesmo período no ano passado, o volume do sistema, composto pelos reservatórios do Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores, chegou a 35%. Em novembro de 2013, o nível registrado foi de 72,7%.

A situação crítica se estende aos reservatórios. Rio Manso e Vargem das Flores também nunca registraram níveis tão baixos nos últimos dois anos. O primeiro está com um volume de 31,1% e o segundo registrou 20,4%. O reservatório Serra Azul é o que tem o pior índice entre os três (6,7%), mas o volume do mesmo já chegou a 5,2% em novembro do ano passado.

Os percalços decorrentes da crise hídrica, entre outros motivos, levou a Copasa a solicitar a revisão do cálculo da tarifa. O pedido foi aprovado pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) e a nova fórmula tarifária deve ser apresentada à população por meio de uma audiência pública em fevereiro do ano que vem.

Diferente do reajuste, que se baseia na atualização dos custos de produção, a revisão considera metas de investimento, ampliação de serviços e impactos decorrentes de ganhos de qualidade.

ESCLARECIMENTOS

Antes da revisão, a Copasa chegou a cogitar, neste ano, a implementação de um racionamento e sobretaxa para os consumidores, hipóteses que foram descartadas. Por causa deste cenário, a Companhia foi chamada a prestar informações na Assembleia Legislativa sobre como a empresa enfrenta a crise hídrica.

Convocada pela Comissão Extraordinária das Águas, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, deveria prestar esclarecimentos aos parlamentares nesta quinta (12), mas a audiência foi remarcada para o próximo dia 20.

Na ocasião, Sinara Meireles terá que apresentar um relatório detalhado sobre o fornecimento de água e sobre a captação e tratamento de esgoto em todos os municípios onde a empresa tem a concessão desses serviços. Ela ainda deve ser questionada sobre um possível “racionamento velado” de água em algumas localidades e dados que justificariam a revisão tarifária solicitada.

A meta da Copasa, de reduzir de 40% para 30% até 2018 a perda de água tratada, também é alvo de críticas dos políticos, que cobram maior rigor diante de tamanho desperdício. (Com Ricardo Rodrigues)

Copasa perde lucro e demite quatro diretores