Três adiamentos, oito anúncios oficiais, muitas promessas de campanha e nenhum centímetro de obra. Assim se resumem os últimos dez anos nos quais o morador da Região Metropolitana de Belo Horizonte aguarda a ampliação do metrô. 
 
Agora, o cidadão passa a contar com um calendário que, segundo garante o governo de Minas, será cumprido. O Hoje em Dia procurou os responsáveis para estabelecer uma previsão do que vai acontecer com o metrô nos próximos quatro anos. Os principais procedimentos estão previstos para maio deste ano.
 
Cada projeto executivo, cada obra e trechos anunciados foram detalhados para o usuário do metrô conseguir vislumbrar uma possibilidade. Desde 2004, recursos são incluídos no orçamento da CBTU, sem que as obras aconteçam.
 
Maio de 2014
 
Em abril do ano passado, o governo federal liberou R$ 60 milhões para a elaboração de três projetos executivos para as linhas 1, 2 e 3. De acordo com a MetroMinas, órgão vinculado à Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop), os três projetos de engenharia das linhas vão ser entregues em maio deste ano. A partir daí, cabe à Caixa Econômica Federal analisá-los e solicitar à União um termo de compromisso para liberar as verbas.
 
“Com a entrega dos projetos, cabe à Caixa aprová-los, mas eles não possuem um prazo específico. Com a aprovação, vem a assinatura do termo de compromisso com o governo federal de R$ 960 milhões. Aí abriremos licitação para as obras da linha 3”, declarou o presidente da MetroMinas, Fabrício Sampaio.
 
Sampaio informou que durante esse período também está prevista para ser viabilizada a parceria público-privada (PPP) que ficará responsável por operar e administrar as três linhas. Atualmente, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) é responsável pela linha 1, a única em operação.
 
Está prevista para abril a assinatura do Convênio de Transferência da linha 1 para a MetroMinas. Caso o prazo seja cumprido, inicia-se o processo licitatório da PPP, cuja audiência pública será realizada em um mês.
 
Investimentos
 
Para que o metrô da capital esteja totalmente implantado são necessários R$ 3,1 bilhões, que serão investidos em três linhas: R$ 200 milhões em melhorias e extensão da linha 1 (Eldorado/Vilarinho); R$ 397 milhões na implantação da linha 2 (Barreiro/Nova Suíça); e R$ 1,06 bilhão na construção da linha subterrânea 3 (Savassi/Lagoinha). Outros R$ 1,4 bilhão serão usados em equipamentos e manutenção. 
 
Essa verba foi anunciada em 2011 pela presidente Dilma Rousseff (PT) e virá em forma de investimentos privados (R$ 1,3 bilhão); verba da União (R$ 1 bilhão); e investimentos do governo de Minas e da Prefeitura de Belo Horizonte (R$ 750 milhões).
 
“Em 2007 mostramos ao governo federal que esse valor era o necessário para concluirmos o metrô. Só com essas melhorias o Estado teria condições de receber o metrô”, declarou Sampaio. As obras de expansão e melhorias na linha 1 devem ser entregues em 2015. Já os trechos das linhas 2 e 3, em 2017 e 2018. O Ministério das Cidades não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento dessa edição.
 
Carta com proposta de novos trechos sai sexta
 
Em janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou novas obras e a participação da União com investimentos no metrô de Belo Horizonte. Pela primeira vez, foram anunciados os novos trechos da linha 2 (Nova Suíça/Praça Raul Soares/Hospital) e da linha 3 (Savassi/Morro do Papagaio/Belvedere).
 
O governo de Minas, por meio da MetroMinas, informou que já deu início aos trâmites para conseguir a liberação da verba, e que até o dia 7 irá entregar a carta consulta ao governo federal formalizando a proposta.
 
“A partir daí, o Ministério das Cidades analisa e o ministro publica a carta aprovando-a. Depois disso, a Caixa Econômica Federal (CEF) analisa os termos de referência e libera a contratação dos editais para os projetos de engenharia. A partir daí, o governo tem 30 dias para abrir edital com prazo de execução de um ano”, declarou o presidente da MetroMinas, Fabrício Sampaio.
 
Ao todo, são R$ 2 bilhões em investimentos em projetos executivos e obras. “É importante ressaltarmos que esse novo anúncio da presidente não está dentro dos R$ 3,1 bilhões. É um novo dinheiro e novos projetos”, explicou Sampaio. No pacote também foi anunciado um trem metropolitano do Belvedere ao Barreiro.
 
Desses R$ 2 bilhões, a União vai entrar com R$ 1 bilhão para projetos de engenharia e obras e o restante (R$910 milhões) será financiado pelo programa PAC 2 Mobilidade.
 
Capacidade será de 940 mil passageiros
 
Ao final da implantação dos novos trechos, o metrô de Belo Horizonte contará com 44 quilômetros de extensão. Ao término das obras de melhoria e extensão, a linha 1 (Eldorado/Vilarinho) passará de 28 para 29 quilômetros, chegando até o Novo Eldorado. Ao todo, a capacidade será de 940 mil pessoas. 
 
Transportando hoje 210 mil passageiros, a capacidade passará para 625 mil usuários, segundo a MetroMinas. Com a aquisição de novos trens e melhorias do sistema elétrico, a linha 1 passará de 19 para 22 estações, e de 144 para 192 novos carros.
 
A construção da linha 2 (Barreiro/Nova Suíça) vai aumentar em 10,5 quilômetros a extensão do metrô da capital. O número de passageiros da linha 2 será de 90 mil por dia, passando por sete estações, com 28 trens. Já a linha subterrânea 3 fará a ligação da Savassi à Lagoinha. Serão 4,5 quilômetros e 225 mil passageiros por dia. O projeto prevê a implantação de cinco estações com 20 trens. De acordo com a MetroMinas, essa previsão não abarca os novos trechos anunciados pela presidente DilmaRousseff (PT) em janeiro. 
 
Ponto a ponto
 
- De acordo com o Ministério das Cidades, para as obras de metrô anunciadas em 2012, o governo federal repassou R$ 53 milhões para elaboração dos projetos de expansão e reforma da Linha 1 e implantação das linhas 2 e 3. A execução está a cargo da MetroMinas, em parceria com governo de Minas e Prefeitura de BH. Para liberação do R$ 1,75 bilhão restante (R$ 1 bilhão OGU e R$ 750 milhões de financiamento), falta o projeto ser entregue. 
 
- Além desse valor, no final de 2012 foram investidos R$ 211 milhões na compra de dez trens elétricos pela CBTU. A previsão de entrega é de agosto deste ano a julho de 2015. 
 
- O anúncio de R$ 2 bilhões para o metrô neste ano contempla também a elaboração de projetos pela MetroMinas com recursos liberados pelo governo federal tão logo apresente a documentação necessária, de acordo com o Ministério das Cidades. 
 
- Sobre os R$ 744 milhões previstos para a linha 2, incluídos consecutivamente, de 2004 a 2011, pela CBTU em Minas nas propostas orçamentárias, e no ano passado, no Plano Plurianual de 2012 a 2015, mas barrados por Brasília, o Ministério das Cidades argumentou que a linha 2 do metrô foi contemplada pelo PAC Grandes Cidades. Como projetos e a obra serão executados em parceria entre governo do Estado e PBH, via MetroMinas e com apoio financeiro do governo federal, “não faz sentido repassar recursos para que a CBTU contrate projetos e execute as mesmas obras nas mesmas linhas de metrô”.
 
Recorde de passageiros
 
Em maio do ano passado, o sistema - assim como o cidadão metropolitano - chegou ao seu limite e atingiu o recorde de 241 mil passageiros. Desde 1986, os moradores da capital contam com os mesmos 28 quilômetros da linha 1 (Novo Eldorado/Vilarinho) e suas 19 estações. Ao todo são cem carros em operação em um esquema de 25 composições. 
 
Apagões e panes são criticados pelos usuários. Prometida em 1998, a linha 2 (Barreiro/Calafate) começou a ser construída, mas foi abandonada em 2003. A CBTU não informou quanto foi investido nessas obras. O serviço deve ser retomado em até um ano, segundo a MetroMinas.