Morno, quase frio. Esta foi a temperatura do último debate entre os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB), realizado na noite desta sexta (28) pela TV Globo. Depois de serem criticados por especializadas e pela população sobre a falta de propostas, os políticos seguraram a língua e focaram mais nos planos para a capital mineira. Saúde e melhorias para população de rua foram os temas mais abordados. Em alguns momentos, os assuntos que foram polêmica durante a corrida eleitoral vieram à tona. Entre eles, a dívida de IPTU de Kalil e o fato de a filha e o sobrinho de João Leite terem trabalhado na PBH.

Ambos fizeram a linha “apenas me defendo”. Com semblante tranquilo, e por vezes se dirigindo ao tucano de forma 'amigável', chamando-o apenas de “João”, Kalil se armou de nomes para acusar o oponente em um dos momentos que o clima esquentou. Ele citou familiares do PSDB que possuem cargos na Prefeitura. Nomeou, ainda, estupradores condenados, que, conforme o ex-presidente do Atlético, foram soltos por João Leite.

Para atacar o oponente, João Leite afirmou que Kalil é o pobre mais rico do mundo. De acordo com ele, Kalil teria R$ 48 milhões em patrimônio, investiu R$ 2,2 milhões, mas não quitou as dívidas com o município, o mesmo que quer assumir. “Sei que tem sido campanha dura. Mas foi necessário. Além das propostas, temos que conhecer o caráter, compromisso e história dos candidatos”, justificou.

Durante o debate, Kalil acusou João Leite de ter lhe “pedido dinheiro” três vezes. Uma delas, para casar. “Ele fala mal da minha empresa, mas foi lá buscar dinheiro. Uma vez para casar e outras duas eu não sei para que. Minha empresa é honrada, nunca se envolveu em escândalo, em nada. Temos a honra de tê-la na cidade. Não ganhou R$ 50 milhões na PBH não. Trabalhei igual a burro de carga”, justificou. João Leite justificou que foi à empresa de Kalil receber o salário do Atlético, que estava atrasado há meses.

Com relação às propostas, ambos afirmaram que irão reeguer a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) para melhorar a vida da população de rua. João Leite manteve a proposta de levar placas solares às vilas e favelas de BH, ideia criticada por Kalil. “Hoje todas as casas dos programas sociais têm placa solar. Isso é modernidade. Aquece a água e diminui custos. Com arquitetos e engenheiros podemos orientar as reformas nas favelas”, justificou.

Na saúde, o tucano destacou a atenção que será dada a bebês até um ano de vida. Ele afirmou, ainda, que levará programas como o “Saúde da Família” às vilas. Já Kalil garantiu que não irá acabar com as ocupações.