Em uma manobra inesperada, o deputado Federal Leonardo Quintão (PMDB-MG) desistiu da disputa para liderança interna do partido e decidiu apoiar o rival, Leonardo Picciani, do Rio de Janeiro. Hugo Motta, da Paraíba, continua na corrida pelo domínio do partido, apoiado pelo vice-presidente da república, Michel Temmer.

A decisão, segundo nota enviada por Quintão, tem como objetivo unir o partido. “Sinto-me na obrigação de buscar soluções, antes que as disputas diminuam a grandeza e a força da nossa bancada. Minha disposição em ser líder, sempre esteve atrelada a construção de uma Bancada unida e cada vez mais forte, em que as causas e anseios individuais, dariam lugar ao diálogo e unidade, apresentando em plenário aquilo que refletisse a vontade majoritária dos deputados, sobretudo, posições necessárias a transformação política que urge em nosso país”, diz o texto.

Leonardo Quintão ficou isolado depois que a maioria da bancada mineira peemedebista, composta por sete deputados, decidiu que não lançaria um candidato por consenso. Mesmo assim, ele se lançou de forma independente. Agora, fontes de bastidores indicam que Quintão estaria pleiteando a vaga para o ministério da Aviação, que já está praticamente nas mãos do deputado Mauro Lopes, também do PMDB de Minas. Na nota, porém, ele nega tanto o convite, quanto a disponibilidade para assumir a vaga.

 

Confira a nota do deputado na íntegra:

No momento atual, diante do acirramento dos ânimos com o lançamento pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de uma candidatura dentro do partido. Sinto-me na obrigação de buscar soluções, antes que as disputas diminuam a grandeza e a força da nossa Bancada. Minha disposição em ser líder, sempre esteve atrelada a construção de uma Bancada unida e cada vez mais forte, em que as causas e anseios individuais, dariam lugar ao diálogo e unidade, apresentando em plenário aquilo que refletisse a vontade majoritária dos Deputados, sobretudo, posições necessárias a transformação política que urge em nosso País. Desta maneira, recuso a fazer parte de uma disputa sem ideais. De uma guerra entre aliados em que só perde a união e o consenso. O ódio não deve ser motivador da escolha de um líder, pois não há vitória em se conduzir um grupo estilhaçado, dividido por disputas internas. Diante disso, darei o 1º passo para a reunificação. Abrindo mão da minha candidatura, em prol da construção do diálogo. Faço isso, diante dos compromissos assumidos pelo Deputado Leonardo Picciani de, se eleito líder da nossa bancada, conduzir sua liderança contemplando as diversas alas do partido.

De não declarar nada a não ser aquilo decidido em reunião de liderança, de ser a voz no plenário dos seus representados, com todo o respeito devido as várias e válidas vozes da Bancada. Pois sem elas não teríamos o nosso status de grandeza. E ainda, o compromisso de compor com proporcionalidade a Comissão que irá analisar o
impeachment, contemplando as alas favoráveis e contra. Essa composição será determinante para o equilíbrio, uma vez que no passado, tal seleção gerou profundas rupturas e insatisfação, principalmente na minha relação com o Deputado Picciani que sempre foi de amizade e confiança.

E por fim, e não menos importante, com esse passo retomaremos a construção da unidade partidária, tendo como consequência a recondução do Vice-presidente Michel Temer, a presidência do PMDB, para conduzir nacionalmente essa grande marcha para a União que tanto almejamos.

Belo Horizonte, 22 de janeiro de 2016

Deputado Federal Leonardo Quintão