Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, pode definir as eleições presidenciais no segundo turno. O Estado foi o centro do debate desta quinta-feira (16), no SBT, entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). O tucano venceu com ampla frente de votos em São Paulo, enquanto a petista foi muito bem votada no Nordeste. Diante desse quadro, ambos deram a entender que a preferência do eleitorado mineiro deve mesmo ser o fiel da balança na votação do próximo dia 26. 
 
Com propostas em segundo plano, os candidatos voltaram suas atenções para o episódio do aeroporto de Cláudio, o atraso das obras de expansão do metrô de Belo Horizonte e o nepotismo. 
 
Já no primeiro bloco, Aécio citou a nomeação do irmão de Dilma, Igor Rousseff, como assessor especial do gabinete do governador eleito em Minas, Fernando Pimentel (PT), em 2003, então prefeito de Belo Horizonte. “Igor foi nomeado pelo Pimentel em 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Lamento ter que trazer esse tema aqui”. 
 
Na ocasião, o tucano destacou que a irmã, Andrea Neves, “trabalhou muito e não recebeu nada” enquanto presidente do Servas, o Serviço Voluntário de Assistência Social de Minas Gerais. “Seu irmão, candidata, recebeu muito e trabalhou nada”. Dilma não comentou. 
 
No último bloco, Aécio chegou a provocar a petista dizendo que quem ligasse a TV pensaria que ela estava “disputando o governo de Minas ou a Prefeitura de Belo Horizonte”. No momento, falava-se do aeroporto de Cláudio. Dilma, por sua vez, disse que Aécio não representaria o Estado como um todo e que não poderia falar em nome da população. 
 
“Minas se encaminha para me dar mais uma vitória. Vamos deixar os mineiros em paz, eles sabem o que fazem. Vamos discutir o Brasil”, comentou Aécio. “O senhor é um dos mineiros, não significa que possa falar em nome de toda Minas Gerais”, rebateu Dilma. 
 
Ao responder ao questionamento do tucano sobre o atraso das obras de expansão do metrô de BH, Dilma afirmou que a formatação do projeto foi responsabilidade do prefeito Marcio Lacerda (PSB), aliado de Aécio. “Você (Aécio) não tem de fato muito conhecimento, você não sabe onde está o metrô porque está sendo formatado pelo prefeito. Vai chegar até a Savassi, nós queríamos que chegasse ao Morro do Papagaio”, comentou Dilma. 
 
O tucano criticou a postura do PT contra as parcerias público-privadas e as promessas não cumpridas para a área de mobilidade no país. “Das 200 obras anunciadas, 28 apenas foram entregues. De cada dez obras que a senhora prometeu, apenas uma foi entregue. Vocês estão governando o Brasil por 12 anos e demonizaram por dez anos a parceria público-privada. Estão com a transposição do Rio São Francisco e a ferrovia Transnordestina paradas e com sobrepreço”. 
 
ACUSAÇÕES 
 
Na mesma linha do primeiro debate do segundo turno, na terça-feira (14), na Band, os presidenciáveis trocaram acusações de corrupção, na tentativa de desgastar a imagem e desqualificar o adversário. Coube à petista lembrar a assinatura de um termo de ajustamento de gestão entre Aécio e o MPMG para solucionar os investimentos em educação e saúde. Já o tucano pontuou a “incapacidade” da presidente em deter a corrupção na Petrobras e em demitir o tesoureiro de seu partido, o PT, João Vaccari, da Itaipu Binacional. Ele é acusado de comandar o esquema de desvio de recursos.
 
Comentário - Quem será o mais rejeitado? *
 
Se alguém tinha achado “quente” o primeiro debate, esse segundo pegou fogo de vez, com os candidatos finalistas elevando o tiroteio um grau ou mais acima do anterior, acusando casos de corrupção, ataques familiares e pessoais.
Um e outro se atacaram pela iniciativa do mais baixo nível do confronto. A tal ponto que Dilma Rousseff teve queda de pressão ao final do embate. 
 
A petista tentou repetir a fórmula do debate anterior, colocando em discussão os 8 anos do governo FHC e os 12 anos do governo tucano mineiro, enquanto Aécio Neves (PSDB) insistia em discutir os 12 anos do governo federal do PT. 
 
Descontrole da economia, denúncias de corrupção na Petrobras envolvendo, agora, até um ex-presidente do PSDB (Sérgio Guerra, falecido neste ano), 12 anos do governo tucano mineiro, nepotismo, entre outros temas de vários calibres, pautaram o confronto que nada teve de propositivo. A palavra de ordem era “se o jogo é esse, vamos jogar”.
 
Como resultado, ouvimos de ambos os lados ofensas do tipo “mentiroso (a)”, “leviano (a)”, “irresponsável”, “governo corrupto”, enfim, um desfile de impropérios que deve ter assustado a audiência, em especial as donas de casa. O acirramento deverá levar os institutos de pesquisas a medir, daqui pra frente, quem será o mais rejeitado (a) em vez de medir a aprovação de cada um. 
 
Com o país rachado entre os dois modelos e propostas, num empate técnico próprio de quem não sabe qual caminho seguir, o debate não ajudou a quem buscava motivos para tomar uma decisão. Com o país dividido, o (a) eleito (a) vai subir a rampa presidencial com os ferimentos abertos e desacreditado (a) pela outra metade dos brasileiros.
 
* texto do comentarista político Orion Teixeira.