O Belvedere, na região centro-sul de Belo Horizonte, foi alvo de um mutirão antifraudes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) nesta semana. Em apenas dois dias (terça, 18, e quarta, 19 de abril), mais de 40 inspeções por suspeita de ligação clandestina, os famosos “gatos”, e 100 cortes de luz por falta de pagamento foram realizados no bairro de classe alta. As fraudes impactam diretamente na tarifa de quem está em dia com a companhia.

Segundo o gerente de Gestão e Controle da Medição e das Perdas Comerciais da Distribuição da Cemig, Marco Antônio de Almeida, a conta de luz dos clientes da estatal poderia ser até 5% menor se não houvesse ligações irregulares e clandestinas na área de concessão da energética. “O prejuízo é rateado entre a Cemig Distribuição e todos os consumidores adimplentes, diminuindo os ganhos da distribuidora e encarecendo a tarifa para aqueles que usam a energia de maneira honesta”, justifica.

É crime
Se forem confirmadas as irregularidades analisadas nas inspeções, os infratores podem responder criminalmente, já que a intervenção é crime conforme o artigo 155 do Código Penal e prevê multas, pena de um a oito anos de reclusão e a obrigação do ressarcimento de toda a energia furtada e não faturada em até 36 meses, de forma retroativa.

Recomposição do caixa
Os mutirões têm o objetivo de reduzir as perdas comerciais da concessionária e minimizar a inadimplência. Desde o semestre passado, as inspeções foram intensificado, segundo Almeida.

Vale ressaltar que o caixa da Cemig anda precisando de reforço. Afinal, a companhia fechou 2016 com queda de 86,4% no lucro líquido, na comparação com 2015. A receita líquida caiu 14,2% e a Lajida despencou 52,4%.

Outros impactos
“As ligações irregulares podem causar graves acidentes e danos aos equipamentos elétricos, além de queda na qualidade da energia, devido às constantes interrupções no sistema provocadas pela sobrecarga gerada pelo consumo irregular. Vale lembrar, ainda, que várias ocorrências de rompimento de fios e queima de transformadores são registradas devido a essa prática criminosa”, alerta.
 
Em oito meses, foram realizadas mais de 300 inspeções em unidades consumidoras suspeitas de fraude e mais de mil cortes em unidades com débitos pendentes na capital mineira bem como no interior do estado.