O acesso aos planos de saúde está cada vez mais distante dos brasileiros. Depois de uma alta de 14,6% em 2015 frente a 2014, o preço médio cobrado pelas operadoras no Brasil ficou em R$ 403,46. O valor representa metade do rendimento mensal de 33% da população que recebe um salário mínimo no país, hoje em R$ 880. O encarecimento ocorre [TEXTO]em tempos de cortes de investimentos federais na saúde pública.

O levantamento com os preços comerciais praticados pelos planos de saúde foi divulgado ontem pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A pesquisa mostra que, em Minas Gerais, o aumento no preço dos planos de saúde foi de 18,2%. É o quinto aumento mais salgado dentre 27 estados da federação, perdendo apenas para Tocantins, Amapá, Pernambuco e Pará. O preço médio cobrado pelos planos em Minas Gerais é de R$ 441,91. Dentre os mineiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o percentual de trabalhadores que ganham até um salário mínimo é de 36%.

“Em um país em que 70% das doenças são causadas pela condição de pobreza, deixar que os planos de saúde tenham preços inacessíveis para os mais pobres e reduzir os investimentos na saúde pública é um tiro no pé. É afastar a saúde da população”, afirma o especialista em saúde pública e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marcos Werneck.

E, em fase de crise econômica, com demissões e queda do poder de compra dos brasileiros, essa realidade fica ainda mais cruel. Quanto mais caros os planos de saúde, mais pessoas dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). E o presidente interino, Michel Temer, já sinalizou que vai reduzir o orçamento da saúde.

Outra questão demonstrada pela pesquisa é a diferença de preços paga pelos mais jovens e pelos idosos. Em um plano do tipo individual ou familiar, o valor médio pago por pessoas entre zero e 18 anos é de R$ 172,39. Já aquelas com 59 anos ou mais pagam R$ 972,22, ou seja, cinco vezes mais caro.

Além disso, os aumentos por faixa etária são mais altos quando os consumidores completam 59 anos e entram na última faixa. Aqueles que completaram 59 anos em 2015 passaram por um reajuste médio de 43,6%. A entrada na faixa anterior, entre 54 e 58 anos, trouxe uma alta de 27,5%. “É a última chance das operadoras jogarem para cima os custos. E elas fazem isso porque sabem que os gastos com a saúde dos idosos são muito mais altos do que com os mais jovens”, afirma o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

“O plano de saúde é um produto formatado de acordo com cálculos atuariais internacionais e conhecidos. Precisa ser viável, caso contrário, quebra. A correção anual das mensalidades tem a finalidade de compensar a variação das despesas per capita com saúde, que vem crescendo bem acima da inflação”, afirma a presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes. Quanto ao preço mais alto cobrado dos idosos, ela explica que uma das causas é o maior uso dos planos.

 

“É muito difícil um idoso conseguir ter um plano individual no país. Primeiro porque poucas empresas ofertam e segundo porque são caríssimos. Tudo para dificultar o acesso mesmo”

Marcelo Barbosa
Coordenador Procon Assembleia