A crise econômica segue acarretando perdas para os municípios e para a população. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que pelo menos 198 prefeituras no Estado (44%) não investiram no Carnaval de 2018. Outras 248 (55%) deram algum tipo de apoio. As demais consultadas não responderam. A pesquisa ouviu 666 das 853 cidades mineiras.

A principal justificativa para a falta de apoio à Festa de Momo, segundo a pesquisa da CNM, é a escassez de recursos, causa apontada por 54% dos prefeitos como argumento para a ausência de investimentos públicos nas festividades. Outros 38% afirmaram que o município tem outras prioridades, enquanto 8% dos gestores disseram que vão usar a verba destinada ao Carnaval para atender às demandas da sociedade para algum projeto.

No caso de Poços de Caldas, no Sul de Minas, a Festa de Momo não foi extinta, mas a prefeitura cortou em mais da metade o investimento na folia, assim como foi feito no passado. A economia com o corte de verbas destinadas aos desfiles das escolas de samba girou em torno de R$600 mil.

Segundo o prefeito Sérgio Antônio Carvalho (PSDB), os recursos serão repassados para a área da saúde.
“Ano passado eu também fiz o corte no desfile e destinamos o dinheiro integralmente à saúde. Com esses recursos, conseguimos realizar quase mil cirurgias de cataratas. Neste ano, vamos destinar a verba para as cirurgias eletivas, de várias especialidades. Queremos zerar a fila de espera por cirurgias”, afirmou.

Apesar do menor investimento, Carvalho faz questão de frisar que as festividades da cidade seguem oferecendo vários atrativos para a população.
“Não vamos zerar o Carnaval. Teremos festas com vários artistas da terra, diversos blocos e atrações. Vai ser um Carnaval mais familiar, voltado mais para os nossos moradores”, afirma. O gestor revela que o custo total da Festa de Momo na cidade fica em aproximadamente R$500 mil.

A dificuldade em conciliar os investimentos no Carnaval e nas áreas consideradas prioritárias não é exclusividade dos médios e grandes municípios.
Na pequena Caputira, na Zona da Mata, que tem cerca de 10 mil habitantes, a prefeitura também não repassou recursos para a Festa de Momo.
Por meio de nota, o prefeito Celso Gonçalves Antunes (DEM) explicou os motivos que o levou a não destinar dinheiro para a festa do confete e da serpentina.

“Os motivos são os mesmos que nos levaram a não realizar a ornamentação de Natal e a celebração do Réveillon. Além da crise, dos débitos anteriores à gestão atual e da falta dos recursos do ICMS Cultural e Turístico (que só virão em 2019), o governo estadual tem atrasado os repasses, que é dos municípios por direito. Então os escassos recursos próprios estão sendo utilizados para efetuar alguns pagamentos”, afirma a nota.

Contraponto

Apesar do expressivo número de municípios que não contribuíram com a organização do Carnaval, grande parte das cidades mineiras segue investindo algum dinheiro na Festa de Momo.

O levantamento da CNM aponta que 248 prefeituras de Minas destinaram recursos à festa, o que representa 55% dos municípios que responderam ao questionário. A quantia média desembolsada pelas prefeituras mineiras foi de R$97 mil.