A crise demorou um pouco mais para chegar nos restaurantes tradicionais de Belo Horizonte. Mas chegou e está provocando uma onda de promoções. Em alguns casos, pratos chegam a ser vendidos pela metade do preço original. 

“Os restaurantes estão tentando sobreviver. As promoções servem para diminuir a ociosidade da casa, mesmo que reduzindo as margens. Algo muito comum em restaurantes mais simples e que agora chegou aos estabelecimentos que atendem as classes média e alta”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-Minas), Ricardo Rodrigues.

É o caso do Badejo, na Savassi, que tem colocado a cada semana um prato em promoção. Quem for ao local por esses dias encontrará, por exemplo, a moqueca de lagosta com camarão por R$ 99. O prato serve duas pessoas e custa normalmente R$ 209. Por enquanto, ainda é possível experimentar também a moqueca de peixe pirarucu por R$ 79,90. O preço normal seria R$ 120. 

Segundo o sócio-proprietário do restaurante, Daniel Moreira Dalcin Costa, os descontos são uma estratégia para driblar a crise. Tanto que, em 27 anos de existência, o estabelecimento começou a trabalhar com pratos promocionais apenas muito recentemente. “Antes não havia necessidade dessa política de redução de preços”, afirma. 

“Restaurantes tradicionais demoraram para sentir a crise. Mas agora temos até casas fechando”
Ricardo Rodrigues
Presidente Abrasel

Antes de iniciarem as promoções, o Badejo teve uma queda de 25% nas vendas. “Nós conseguimos reverter o quadro porque com as promoções conseguimos atrair um público que não conhecia o restaurante e pessoas mais jovens”, afirma. 

Ousado

O Quinto do Ouro, no tradicional Ouro Minas, também tem ousado. Adotou uma política de promoções por meio de sites de compras coletivas, circuitos gastronômicos e até mesmo vouchers sazonais. Em uma das promoções no Groupon, entrada, prato principal e sobremesa, para duas pessoas, podem ser encontrados por R$ 99 – quando o valor original é R$ 140. As ofertas valem de domingo a quinta-feira.

“Foi uma boa alternativa que encontramos para manter o restaurante movimentado. Conseguimos alavancar, em média, 20% de novos clientes”, afirma a gerente Tatiana Camigauchi. 

Moqueca Muqueca
Moqueca do Badejo: preço cortado a menos da metade

Casas usam criatividade para manter portas abertas

A queda média de 20% no faturamento dos restaurantes mineiros em 2016 tornou urgente mudanças nas estratégias de marketing das casas. 

“Muitos restaurantes bons fecharam ou estão em vias de falir. Nesse contexto, os que ficaram tiveram que se reinventar. Alguns passaram a funcionar com mais turnos, outros mudaram o tipo de culinária e por aí vai”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel Minas), Ricardo Rodrigues. 

No tradicional L’entrecote De Paris, na região Centro Sul de Belo Horizonte, a busca por fidelização é palavra de ordem. Clientes cadastrados têm sido informados de promoções por meio de mensagem de texto. 

Massa Camarão
Massa do Maurizio Gallo: casal para por um prato, mas são servidos dois

O cliente que apresenta essas mensagens paga em entrada, prato principal e sobremesa com preços que variam entre R$ 59,90 e R$ 99,90, dependendo da bebida consumida (cerveja ou vinho português).

“Essas promoções são esporádicas e são um benefício para nosso cliente. São pessoas que já estão cadastradas no nosso banco de dados e queremos dar esse benefício”, explica Sara Rocha, gerente de marketing do restaurante.

Na unidade do bairro Carmo, em Belo Horizonte, do italiano Maurizio Gallo, a promoção é do tipo “pague um, leve dois”. Três pratos indicados pelo chef entraram na promoção que vai até o dia 15 de fevereiro. 

Segundo a gerente-geral do restaurante, Renata Oliveira, a promoção tem ajudado o estabelecimento vencer a crise. “É bom que as pessoas passam a conhecer o restaurante e viram clientes. É uma forma de fidelizar. Vamos recuperar as perdas”, diz.

“Da forma como está o mercado, todos podem sucumbir. O que difere um restaurante do outro é a estratégia adotada”
Ricardo Rodrigues
Presidente Abrasel

 

Delivery

Já no restaurante self service Família Daniel, com duas casas no Centro, que apresentou queda de 60% no movimento. “Muitos dos meus clientes trabalhavam em bancos e, com a crise, eles tiveram a jornada reduzida de oito horas para seis horas. Os almoços foram ficando mais escassos e tive que inventar uma maneira para não quebrar. Foi quando implantei o sistema delivery”, explica.

Por meio de um aplicativo, os pedidos são feitos e o próprio Matheus faz as entregas de bicicleta. Os clientes do delivery já representam 5% das vendas do restaurante que já conseguiu recuperar 20% do prejuízo.