Em negociação desde o início do ano com os servidores públicos municipais, a prefeitura de Belo Horizonte anunciou ontem um reajuste de 2,53% para ser aplicado na folha de agosto. O percentual leva em conta a expectativa de crescimento das receitas mas desagrada os trabalhadores que já cogitam iniciar um movimento grevista.

O vale-refeição terá um aumento de 2,85%, passando para R$ 20, também a partir de agosto. A proposta vale para cerca de 50 mil dos 58 mil servidores da capital. Ficam de fora os trabalhadores da Prodabel, Urbel, Belotur e BHTrans.

A recomposição gera um impacto de R$ 41,5 milhões nos cofres públicos e precisa ser aprovada pela Câmara dos Vereadores. Os servidores também terão que aprovar a proposta que foi passada para as centrais sindicais na última sexta-feira (21). Quando aprovado, o pagamento retroativo será feito tendo como referência a data de agosto.

O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Informação, André Reis, explica que o aumento levou em conta a expectativa de elevação da ordem de 6,47% da receita neste ano. Um novo reajuste no fim do ano não está descartado caso os resultados do Executivo fiquem de fato no azul. “Nós não vamos dar um aumento acima do crescimento da receita”, garante.

O reajuste proposto é apenas um capítulo de uma negociação iniciada em fevereiro com a categoria. Foi criada uma comissão, formada por representantes do Executivo e dos trabalhadores. Os objetivos eram o levantamento das perdas acumuladas ao longo dos anos e a busca de um consenso. Mas, com os dados em mãos, o Executivo apresentou uma proposta, segundo o secretário, compatível com a atual realidade financeira da Administração.

E não agradou. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sindi-Rede), Wanderson Rocha, as perdas estimadas pela categoria são de 27%, cálculo que leva em conta os reajustes dos últimos 20 anos. “Nós pedimos que, caso não fosse possível zerar essas perdas, que respeitassem pelo menos o Piso Nacional da Educação, de 7,64% neste ano”, afirma.

A categoria já tinha marcado uma assembleia para avaliar a possibilidade de iniciar uma greve para o dia 9 de agosto. “Diante da não aplicação nem mesmo do piso nacional vamos avaliar se os trabalhadores da educação vão iniciar ou não um movimento grevista”, afirma.

O Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), que representa cerca de 80% dos trabalhadores públicos municipais da capital, também tem uma assembleia geral já marcada. No dia 2 de agosto eles vão votar se aceitam ou não a proposta da prefeitura que também está aquém do que foi pedido pela categoria.

Segundo o presidente do sindicato, Israel Arimar, eles calculam que, desde 2015, as perdas foram de 15,5%. As expectativas da categoria eram de um aumento salarial de, pelo menos, 4,5% para cobrir a inflação esperada para o ano. “Com uma alta de 2,53% nós vamos acumular mais um ano de perdas”, afirma. Dessa forma, os servidores irão avaliar, inclusive, a possibilidade de cruzar os braços na assembleia agendada.

O secretário André Reis explica que a ideia é atender aos anseios dos servidores paulatinamente. “A categoria tem uma lista bem rica de demanda que vamos negociando e tentando conceder. Mas as reivindicações têm que caber dentro do caixa da prefeitura. Não podemos deixar uma prefeitura falida”, afirma. “Pode ser que isso não agrade todo mundo, mas é o melhor da cidade”, garante.