Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS, afirmou em entrevista à revista Época que o presidente Michel Temer é chefe de uma organização criminosa. O empresário, que após ter acordo de delação premiada foi morar nos Estados Unidos, está no Brasil desde o último domingo (11). Nesta sexta-feira (16), ele prestou depoimento na Justiça Federal, em Brasília.

Para Joesley, "quem não está preso está no Planalto". "O Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo (Cunha, deputado cassado), Gedel (Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo de Temer), Henrique (Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo de Temer), (Eliseu) Padilha (atual ministro da Casa Civil) e Moreira (Franco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência). É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muito perigosa. Não poderia brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida", afirmou.

Para a reportagem da revista, Joesley contou que o presidente da República lhe pediu dinheiro logo que se conheceram. "Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro", revelou. 

Perguntado sobre a relação entre Temer e o ex-deputado federal Eduardo Cunha, Joesley falou que o presidente estava em um nível superior hierárquico. "Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel", disse.

* Com Estadão Conteúdo

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