O presidente Michel Temer convocou uma reunião neste domingo (11) com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco, secretário do Programa de Parceria de Investimentos, no Palácio do Jaburu. 

O encontro, que não estava previsto na agenda, servirá para que discutam a crise política instalada no Planalto depois da revelação do teor do acordo de delação de um ex-executivo da Odebrecht em que os três são mencionados. 

Temer estava em São Paulo e chegou a Brasília no início da tarde. A ordem do presidente é ter sangue frio e calma para enfrentar as acusações do ex-diretor da empreiteira Cláudio Melo Filho. A equipe de Temer diz que não há nada contra ele que possa  gerar suspeitas de irregularidades e que a expectativa é que o fim de ano acalme os ânimos em Brasília. 

Segundo interlocutores do presidente, o governo terá de reagir à nova crise política, para dar demonstrações de que não está parado. O presidente pretende discutir com seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, medidas para tentar tirar a economia da recessão, que poderiam ser lançadas ainda neste ano. 

Além disto, Temer quer resolver as pendências para nomear mais um ministro na cota do PSDB dentro da estratégia de trazer os tucanos definitivamente para dentro do núcleo duro do Palácio do Planalto. O nome mais forte é o do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), que chegou a ser dado como certo na Secretaria de Governo. A ficialização do nome foi suspensa depois de pressões do centrão. 

Delação

O teor da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, expõe a atuação de Temer e Padilha e Moreira Franco. Segundo Melo, "o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha". 

O nome Michel Temer (ou só o sobrenome dele) aparece 43 vezes no relato. Padilha, apelidado de "primo", é mencionado 45 vezes e Moreira Franco, o "angorá", 34.

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