Não escondo a opinião de que o Renault Duster é um dos melhores produtos que a marca francesa comercializa no mercado brasileiro. Prestes a completar sete anos de mercado, o utilitário-esportivo (SUV) de origem romena nunca foi um exemplo de refinamento. Muito pelo contrário. O Duster nunca teve vergonha de ser uma espécie de Urtigão do segmento. Mas conquistou a simpatia do consumidor por oferecer ótimo espaço interno e preço competitivo. 

Por outro lado, sempre deixou a desejar na oferta de um conjunto motor que fosse capaz de unir eficiência e conforto. Por muito tempo o comprador tinha três opções: 1.6 manual, 2.0 manual e tração 4x4 ou 2.0 com caixa automática de quatro velocidades. 

A primeira entregava economia de combustível, mas deixava a desejar em comodidade. A segunda pecava pelo consumo, pela falta de comodidade, mas credenciava o Duster a terrenos acidentados, fazendo dele um jipinho cascudo. Já a terceira opção entregava comodidade, mas sob pena de um consumo assustadoramente alto.

A solução veio no ano passado, com o casamento do motor 1.6 de 120 cv e a transmissão continuamente variável (CVT) X-Tronic, emprestada da prima Nissan, e que também equipa o charmosinho Captur.

Testamos a versão Dynamique 1.6 CVT, avaliada em R$ 86.890 (a Expression parte de R$ 77.690), com direito a bancos revestidos em couro, módulo MediaNav equipado com câmera de ré, além de firulas como rack de teto e rodas de liga leve aro 16 escurecida para deixá-lo com cara de mau. 

O jipinho se mostrou extremamente agradável no uso cotidiano, muito em função da caixa CVT e também pelo afago dos bancos em couro, que nos fazem esquecer da vocação franciscana do Duster. 

Particularmente, nunca fui um apreciador desse tipo de transmissão, principalmente em modelos de performance mais dinâmica, como sedãs, pois quando se pisa forte ele tende a elevar bastante a rotação em busca de torque. No entanto, num jipinho pacato e de proposta familiar como o Duster e seus parentes Captur e Nissan Kicks, a caixa se mostra mais que satisfatória. 

E o melhor: ajuda a manter o consumo baixo. Se o motorista não ficar pressionando o pé constantemente no acelerador, a caixa mantém a rotação do motor na casa dos 1.500 giros, o que contribui significativamente para a eficiência. 

Raio-x Renault Duster Dynamique 1.6 CVT

O que é?
Utilitário-esportivo (SUV) compacto, quatro portas de cinco lugares.

Onde é feito?
Produzido na unidade de São José dos Pinhas (PR).

Quanto custa?
Base 83.690
Avaliado: R$ 86.890 

Com quem concorre?
O Duster CVT concorre no segmento de SUVs compactos com opções de transmissão equivalentes como: Ford EcoSport SE 1.5 (R$ 83.490), Honda HR-V EX 1.8 (R$ 95.600), Hyundai Creta Pulse 1.6 (R$ 88.090), Jeep Renegade Sport 1.8 (R$ 88.990), Nissan Kicks S 1.6 (R$ 80.990), Peugeot 2008 Griffe 1.6 (R$ 86.590) e até mesmo o irmão Renault Captur Zen 1.6 (R$ 86.450).

No dia a dia?
O Duster sempre foi um jipinho bacana no uso cotidiano. Sua excelente oferta de espaço garante conforto para quatro adultos com tranquilidade. O banho de loja na versão Dynamique, que incluiu bancos revestidos em couro, despistam a simplicidade do restante do acabamento. 

O que segue sem solução é o lay-out ultrapassado do painel, em que a central multimídia fica numa posição rebaixada, dificultando a leitura. Mesmo assim, a inclusão da câmera de ré, é um alento na hora de manobrar, uma vez que jipinho tem suspensão muito elevada.

Motor e transmissão
A unidade 1.6 16v passou por um ajuste no ano passado e sua potência saltou para 120 cv. O torque de 16,2 mkgf oferece fôlego para deslocar seus 1.200 quilos sem grande sacrifício. No entanto, esse vigor não é sentido na caixa CVT que ajusta as polias para sempre entregar uma relação que garanta melhor eficiência. 

Como bebe?
Abastecido com álcool, o Duster CVT registrou média de consumo na ordem de 8,8 km/l, no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão, direção e freios
A suspensão com curso longo ajuda a suportar a buraqueira das vias brasileiras. No entanto, é muito dura na traseira. Já a direção com assistência hidráulica é leve, mas tem angulo de giro muito aberto, que na prática significa mais trabalho nas manobras. Os freios são a disco, no eixo dianteiro, e a tambor no eixo traseiro. A versão CVT ainda conta com controle de estabilidade (ESP).

PONTOS POSITIVOS
Espaço Interno
Consumo
Controle de Estabilidade (ESP)

PONTOS NEGATIVOS
Acabamento simples
Leitura ruim da tela do sistema multimídia