Para milhares de cidades do mundo, inclusive Belo Horizonte, 22 de setembro é o Dia Mundial Sem Carro, uma proposta lançada na França em 1997 e que chegou ao Brasil seis anos depois. O movimento de conscientização vem crescendo a cada ano, mesmo que não seja muito significativo o número dos que, pelo menos nesse dia, deixam seus carros nas garagens e usam meios alternativos de mobilidade urbana.

O que aumenta é a percepção de que do jeito que está não pode continuar. Em Belo Horizonte, por exemplo, já existem mais de 1 milhão de automóveis disputando espaço, numa cidade cada vez mais congestionada, com outros 500 mil veículos, como ônibus, caminhões e motos. Cada vez mais se torna evidente a necessidade de melhorar o transporte público, para que mais pessoas passem a utilizá-lo. Para isso, é preciso que os ônibus, principalmente, sejam menos desconfortáveis para os usuários e que as tarifas representem um bom diferencial em relação aos gastos com a locomoção por carro.

A adoção da tarifa zero, tal como insistem os mais radicais defensores do transporte público, não deve ser descartada de imediato, mesmo porque já foi adotada por algumas cidades estrangeiras com sucesso. Porém, na realidade atual dos cofres municipais e da própria realidade política, não parece ser uma boa alternativa para Belo Horizonte.

O uso da bicicleta, embora recomendável sob o ponto de vista da saúde e da ecologia, não é viável para a grande maioria dos moradores de uma cidade como a capital mineira. Planejada em seu nascedouro, mas de modo algum plana na maioria de suas ruas e avenidas. E, tal como a motocicleta, um veículo perigoso num trânsito em que os motoristas não aprenderam ainda que pedestres e quem pilota veículos mais frágeis têm a preferência no trânsito. É por isso que na última quarta-feira, primeiro dia da Semana Nacional de Trânsito, um menino de 12 anos que voltava para casa de bicicleta do seu treino diário numa escolinha de futebol, na Pampulha, foi morto por um caminhão. Mais um, numa estatística que não para de crescer.

A melhor forma de reduzir essa verdadeira carnificina no trânsito é, em primeiro lugar, reduzir a verdadeira luta por espaço que torna os motoristas raivosos e vingativos, tirando das ruas o maior número possível de carros sem prejudicar a mobilidade urbana. E, não menos importante, educar. Conscientizar. Daí a relevância da mobilização que ocorre hoje em nossa cidade.