A Usiminas pode religar o alto-forno número 1, da unidade de Ipatinga, no próximo ano. O presidente da companhia, Sérgio Leite, informou que a proposta está em análise e será encaminhada para deliberação do Conselho de Administração. Já os dois altos-fornos de Cubatão, em São Paulo, não devem voltar a operar tão cedo.

“Já estamos discutindo intensamente esse assunto”, afirmou quando questionado sobre a retomada em Ipatinga. “O alto-forno demanda um certo tempo, então, as previsões são as de que, uma vez aprovada pelo conselho, retomar em 2018, só em Ipatinga. Em Cubatão, não temos previsão de retomada. Não antes de três a cinco anos”, completou.

Os altos- fornos da Usiminas foram desligados em meados de 2015 quando houve uma retração anual de cerca de 6% no consumo de aço no país. A medida ocasionou a redução de cerca de 120 mil toneladas de ferro-gusa por mês e demissões. Conforme explicou Leite, em caso de retomada em Ipatinga, deve haver contratação de pessoal.

O anúncio vem no momento em que a Usiminas comemora o primeiro resultado positivo em quase um ano. O primeiro trimestre fechou com lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 88,9 milhões, ante prejuízo de R$152,8 milhões no ano anterior. Nos três primeiros meses deste ano, o lucro consolidado foi de R$ 108,3 milhões.

O presidente da companhia credita o resultado a medidas de contenção de custos e ao reaquecimento, mesmo que tímido, do mercado. “Para gerar resultado tem que reduzir custos e aumentar a receita. Fizemos redução da estrutura gerencial em 20%, reduzimos o número da força em 20%, fizemos uma redução de custo nos processos e redução das atividades que envolveu terceiros”, afirmou.

Quanto à receita, Leite informou que os três setores que são clientes da companhia (automotivo, distribuição e indústria) apresentaram aumento na demanda. “O preço médio dos produtos Usiminas foi cerca de 10% superior ao quarto trimestre ano passado”.