Depois de dois anos de obras, três instituições de ensino da Rede Jesuíta de Educação (RJE) vão inaugurar, em 23 de junho, a primeira usina fotovoltaica com iniciativa escolar do Brasil. O projeto, que demandou investimento superior a R$ 5 milhões, é fruto da união dos Colégios Loyola (BH) e Jesuítas (Juiz de Fora) com a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE FMC), que tem sede em Santa Rita do Sapucaí. Lá foi instalada a planta, em área de 15 mil metros quadrados. 

Os 4.200 painéis solares da Usina Solar Padre Furusawa devem produzir de 1,113 megawats a 1,5 gigawatts por ano, o que equivale ao consumo de 860 casas, na média nacional. A energia será usada para abastecer as três unidades e o valor excedente deve ser destinado para a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O funcionamento é garantido mesmo com baixa irradiação solar, graças às células fotovoltaicas presentes nos semicondutores interligados das placas.
Também no dia da inauguração da usina, os alunos da ETE FMC vão apresentar o projeto de um poste solar de baixo custo, que pode ser uma solução de energia para comunidades carentes. 

A instituição foi a pioneira no Brasil a oferecer o primeiro curso técnico de Eletrônica da América Latina, em 1959. “O projeto da usina é parte de um programa dos Jesuítas, que tem ênfase nas questões de meio ambiente e da sustentabilidade, com outras ramificações. Entendemos que a geração de energia limpa é uma parte importante da nossa proposta”, comentou Alexandre Barbosa, diretor-geral da ETE FMC.

Ele explicou que a usina solar ficará em Santa Rita do Sapucaí porque o município é um polo de desenvolvimento tecnológico do Estado. “Além da economia de custos com energia elétrica, também vamos oferecer cursos técnicos que abordem essa tecnologia. Como temos a usina na nossa unidade, os alunos poderão compatibilizar teoria e prática”, adiantou. 

Da mesma forma, os serviços de gestão, manutenção e limpeza das placas também serão feitos pela comunidade acadêmica local, que já iniciou uma pesquisa para a construção de um robô para fazer a limpeza das placas solares de forma automatizada.

O Padre Furusawa, que dá nome ao empreendimento, foi professor da ETE até 1991, criou o sistema de aquecimento solar dos antigos alojamentos da instituição e desenvolveu o método de construção de transformadores que ainda hoje é muito usado nas indústrias do município. 
 

Minas Gerais lidera ranking de conexões de geração

Minas Gerais encerrou janeiro deste ano na liderança nacional em número de conexões de micro e mini geradores de energia por meio de fontes renováveis. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Estado tem 6.226 empreendimentos do gênero, com capacidade de geração de 99.664,3 kW de potência. 

Deles, 5.800 estão na área de concessão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Em segundo lugar vem São Paulo, com 5.800 empreendimentos do gênero e geração de 37.184,62kW. O Rio Grande do Sul tem 3.673 instalações, porém a capacidade é de 45.280,77kW.

Condições favoráveis
De acordo com o engenheiro de Tecnologia e Normalização da Efficientia, empresa do grupo Cemig especializada em soluções energéticas, Márcio Eli Moreira de Souza, Minas Gerais tem fatores altamente favoráveis para a instalação dessas mini e micro usinas, o que possibilita um retorno do investimento mais rápido, graças aos excelentes níveis de radiação na maior parte do Estado e à tarifa de energia atrativa para os investidores de geração distribuída. 

Outro incentivo importante é a isenção do ICMS pelo governo estadual.

No Brasil, a Aneel estabelece que as fontes de geração distribuída devam ser renováveis, tais como painéis fotovoltaicos e geradores hidráulicos e eólicos, entre outras fontes do gênero. 

Para efetivar a ligação, é necessário que o consumidor solicite à Cemig conexão com a rede de distribuição.