O hábito brasileiro de tomar o famoso “cafezinho” é a fonte de crescimento da Utam, empresa de beneficiamento do produto. Com uma alta estimada em 20% no faturamento em 2016 frente a 2015, o grupo encerrou o ano com um investimento de R$ 2 milhões para lançamento de uma linha de café gourmet, na unidade de Piumhi, no Centro-Oeste de Minas Gerais. 

O recurso será utilizado para a aquisição de maquinário e preparação da área onde será instalada a unidade de beneficiamento. Os trabalhos foram iniciados em outubro e o esperado é que, já neste mês, a produção seja iniciada. 

“Estamos montando uma linha de produção com equipe própria, desvinculada da linha já existente”, explica a diretora-executiva, Ana Carolina Soares. 

Aposta

A empresa atua no beneficiamento do café torrado e moído, que é a linha mais comum, além de uma produção de cafés especiais. Mas, a ala gourmet tem uma representatividade de apenas 10% do faturamento global do grupo, fechado em R$ 54 milhões em 2015. A ideia é, em 2017, passar para uma participação de 20% graças à inversão em curso. 

A aposta nesse perfil de produto tem ligação com a concorrência. Esse, segundo Ana Carolina, é um tipo de produto com menor produção no país, apesar de haver demanda garantida. 

Além da unidade mineira, a empresa tem a filial de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Mas os últimos investimentos estão sendo destinados para a unidade mineira.

“O café da nova linha será diferenciado, terá maior valor agregado e focaremos na diferenciação. Já o café torrado e moído é de muito mais concorrência no país”
Ana Carolina Soares
Diretora-executiva da Utam

Recursos

Em 2014, foram aportados R$ 3,2 milhões para a montagem da linha de envase de cafés em embalagens chamadas Stand Pack na unidade. Isso significa que os cafés passaram a ser embalados em uma estrutura que substitui o oxigênio pelo nitrogênio, evitando a oxidação do produto. Em 2015, houve aporte de R$ 1,1 milhão em uma embalagem à vácuo. 

A escolha da planta mineira para realização de tantos investimentos se justifica, em um primeiro momento, pela proximidade da matéria-prima, uma vez que Minas Gerais é o maior produtor brasileiro do café em grãos. Contou também para a decisão, a boa localização do Estado, que permite fácil escoamento da produção. 

Aliás, essa distribuição da mercadoria se tornará mais importante quando o investimento mais recente for finalizado, uma vez que o mercado consumidor será ampliado. 

Na parte da oferta, a capacidade produtiva anual da unidade mineira passará das atuais 3 mil para 5 mil toneladas. Em São Paulo, a possibilidade de produzir 6 mil toneladas ao ano será mantida. Para 2017, o esperado é aumentar o faturamento em, pelo menos, 12%. 
Por enquanto, a exportação não está nos planos da companhia, que vê no mercado interno grande possibilidade de expansão.