O Verão deste ano promete bons números para a indústria do turismo. A melhora em alguns indicadores econômicos está deixando agências de viagem mais otimistas. Em relação ao ano passado, a expectativa da Associação Brasileira de Viagens (Abav) é que, para as próximas férias, a partir de dezembro, haja um aumento de 10% nos pacotes de viagens por todo país. Em algumas agências, as vendas antecipadas já cresceram mais de 12%.

Para o vice-presidente da Abav-MG, Alexandre Brandão, dois fatores ajudam no aquecimento. “A estabilidade do dólar, que proporciona que as pessoas tragam um orçamento mais real, sem grandes variações, e a implantação dos novos voos diretos para cidades como Jericoacoara (CE) e Orlando (EUA)”, explica ele.

Entre os destinos preferidos dos mineiros, as praias do Nordeste e, no exterior, Buenos Aires – que também conta diariamente com voos diretos de BH.

Para algumas agências de viagem, o otimismo é ainda maior. “Em que pese o descontentamento em torno do governo federal, a economia está dando alguns sinais mais de sair do marasmo”, diz Paulo Testa, diretor comercial da Interpool, que espera um aumento de 15% na venda dos pacotes. Na agência, a maior procura dos clientes também é por praias, principalmente para cidades que contam com aeroportos. Além do Nordeste, com Maceió (AL), Porto de Galinhas (PE), Porto Seguro, Ilhéus e Salvador (BA), estão em alta as praias do litoral fluminense, como Cabo Frio e Búzios.

Antecipação
Neste ano, os clientes, também mais otimistas, estão programando com maior antecedência as viagens. De acordo com o gerente de vendas da CVC para Minas Gerais, Marcelo Nathanson, a empresa teve um aumento de 12,3 % nas confirmações de reservas do último trimestre, ante o mesmo período de 2016.

“Diferentemente do ano passado, quando os mineiros deixaram para decidir as férias em cima da hora, temos sentido que neste ano eles estão se programando mais e buscando pacotes de viagem para as férias de final de ano”, conta Nathanson.

A preferência não é à toa. Quem antecipa as viagens em pelo menos 90 dias, consegue uma economia de até 30% nos pacotes. “A matemática dessa economia está principalmente relacionada à lei da oferta e da procura das passagens aéreas, que é um dos componentes que mais oscilam dentro do preço do pacote de viagem, considerando fatores como proximidade do embarque, índice de ocupação dos voos, destino e praça de origem”, aponta o gerente de vendas da agência.
Paulo Testa reforça que, historicamente, antecipar viagens realmente ajuda no bolso dos clientes. “Quanto maior a antecedência do cliente, menos ele vai pagar. Paga menos no aéreo, com a política de desconto antecipada”, diz.

Férias à vista
O engenheiro José Duarte, 67 anos, é um dos que já estão programando uma temporada de férias com a família nas praias do Nordeste.

Entre dezembro e janeiro, Duarte vai viajar com a família para Porto Seguro (BA) e já está fechando um pacote de cerca de R$ 1.500 por pessoa, com hotel e translado incluído. “É um local mais fácil de chegar, e os pacotes geram tranquilidade porque dão mais comodidade”, diz ele.

O engenheiro, no entanto, diz que os preços deste ano não estão diferentes do ano passado e reclama das diferenças de valor entre alta e baixa temporada que, segundo ele, chegam a 50%. “As próprias operadoras já sabem é uma época sobrecarregada não tem interesse em dar desconto”, reclama o mineiro.

 

Indústria hoteleira também está otimista para o Verão deste ano


Entre os empresários da indústria hoteleira, a expectativa para o Verão deste é a mesma: aumento de 10% na procura por acomodação em hotéis.
O crescimento, que parece pouco, é um alívio para o setor, que vem, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), sofrendo desde a Copa do Mundo de 2014. “Não só não ocorreu um crescimento esperado na Copa e nas Olimpíadas, como houve um decréscimo”, explica o presidente nacional da entidade, Dilson Fonseca. Agora, a espera é que a retomada econômica do país libere uma “vontade reprimida” da população por viagens de lazer.

Ele também garante que a maior demanda não vai impulsionar os preços das diárias. “As tarifas vão ser mantidas. Os hotéis vão ganhar em retomada da quantidade de hóspede. É melhor ter uma ocupação de 80% com tarifa mais baixa, do que de 60%, com tarifa mais alta”, avalia Dilson, que, no entanto, diz que um “fator surpresa” como uma alta nas tarifas aéreas e na carga tributária do setor pode causar impactos negativos na expectativa.

Ainda segundo a Abih, o Nordeste e o Sul do país são os destinos que têm a maior procura.

Alternativas
A indústria hoteleira, no entanto, terá que seguir convivendo com a concorrência de alternativas para acomodação dos viajantes.

Em constante crescimento, o site de hospedagens particulares Airbnb foi responsável, direta e indiretamente, por R$ 2,5 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisasa Econômicas (Fipe).

“O Airbnb é um concorrente e tem valores mais baixos que o hotel legalmente constituído”, analisa o vice-presidente da Abav-MG, Alexandre Brandão, que, por outro lado, defende que seja discutida a regulamentação do serviço.

Mas o Airbnb também tem impactado positivamente na renda extra dos anfitriões. Ainda segundo a Fipe, a média anual de ganhos com o aluguel de quartos em 2016 foi de R$ 6.070 para os brasileiros.

No caso da servidora Maria Beatriz Parisi, 54 anos, os ganhos variam de R$ 1 mil a R$ 3 mil por mês, com os dois quartos disponíveis no apartamento no bairro da Serra (Centro-Sul). “Além de me dar uma renda extra, me dá qualidade de vida. Estou viajando muito e levando uma vida mais folgada”, conta ela.