A dois dias da cerimônia de abertura da Copa do Mundo de Futebol da Rússia, Belo Horizonte ainda não entrou no clima da competição. Depois de receber jogos e seleções em casa, há quatro anos, a disputa que acontecerá a mais de 14 mil quilômetros de distância, ainda não resultou na tradicional venda de produtos que fazem alusão ao evento.

No hipercentro da capital mineira algumas lojas apelam para enfeites como bandeiras e adereços verde-amarelos para cativar os consumidores. No entanto, a procura pelos itens ainda está abaixo do esperado pelos lojistas.

Especializada no comércio de produtos esportivos, a banca localizada na avenida Afonso Pena, esquina da rua São Paulo está “vestida” de verde-amarelo. Além de camisas verde-amarelas e, também, as azuis da Seleção Brasileira, há bandeiras, vuvuzelas, canetas, bonés, toucas e adereços para trazer o clima da Copa do Mundo da Rússia para a capital. 

Apesar da empolgação da vendedora em chamar a atenção dos transeuntes e apresentar as novidades da temporada, as vendas ainda não atingiram o ritmo registrado nas Copas anteriores. Segundo a proprietária, Odete de Lima Vieira, que está há 40 anos no ponto, a banca já é parada obrigatória dos torcedores dos times mineiros . No entanto, para a Copa o clima da população, em relação ao evento, está diferente. “Tem muitas pessoas que passam por aqui, olham, mas a maioria tem falado que o Brasil não está em boa situação para que o povo se distraia com futebol”, comentou.

Otimista, a comerciante acredita que o sucesso das vendas, neste ano, vai depender dos bons resultados da Seleção Brasileira. Assim, se os craques jogarem bem e avançarem na competição, aumentam as chances de que as pessoas deixem de lado o pensamento na crise econômica e nos impasses da política nacional para experimentar a festa que só uma Copa do Mundo é capaz de promover.

Sem destaque
Na loja da Nova Brasília da rua São Paulo, a arara com camisas que fazem alusão à participação brasileira na Copa foi retirada da frente da loja e transferida para o fundo, perto do caixa, sem qualquer destaque.

Segundo a gerente Vanessa de Souza Xavier apesar do bom preço, a procura por esse tipo de produto está muito pequena. “Tirei da porta da loja porque o produto não chamou a atenção dos clientes até agora”, reconheceu.

Ela disse, ainda, que o início de junho está atípico para o comércio da capital.

“Temos nesta semana o Dia dos Namorados e o início da Copa do Mundo, mas nenhum dos dois eventos empolgou os consumidores até agora”, afirmou.
Também na rua São Paulo, a Max Moda colocou as camisas verde-amarelas em promoção para garantir as vendas. Diferente das Copas anteriores, das 60 unidades comercializadas por dia, 50 são dos tamanhos infantis, segundo informação da gerente, Michele Rodrigues Ferreira. Ela explicou, ainda, que os adultos têm se preocupado em agradar as crianças, mas não estão empolgados com a competição.

A pesquisadora Viviane de Jesus Souza disse que os filhos de 12 e quatro anos querem a camisa do Brasil. Ela comprou uma e pretendia passar em outra loja para ver se encontrava a outra, do filho menor. “Eu não estou empolgada com a Copa e não vou levar nada para mim”, disse.

 


Pesquisa aponta baixa expectativa do empresariado da capital


Segundo pesquisa realizada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), dos 232 empresários entrevistados entre os dias sete e 21 de maio, 51,5% dos comerciantes da capital não esperam resultados em venda no período com o Copa.

O comércio também não deve parar nos dias de jogos da Seleção Brasileira. A pesquisa apontou que 44,8% das lojas vão permanecer com as portas abertas nessas datas. Há um grupo de 21,6% que vai fechar apenas no horário das partidas. No entanto, apenas 14,7% devem interromper as atividades no restante do dia. 

Sem contratos
A baixa expectativa em vendas tem reflexo também nas contratações. Das empresas ouvidas pela CDL-BH, apenas 3,4% pretendem reforçar “o time” de trabalhadores.

O tíquete médio previsto é de R$ 87,90, com maior valor na região Centro-Sul (R$ 113,52) e compras mais econômicas no Barreiro (R$ 40,63). Já para calçados, o preço será de R$111,09. Em seguida estão vestuário, com R$ 106,18, e bares e restaurantes, com contas médias de R$ 51,27.

No entanto, 55,2% dos lojistas acreditam que as compras não terão valor superior a R$ 50. A conta deve ser paga, em 34,8% dos casos, com cartão de débito. O parcelamento do cartão de crédito corresponde a 28,7% dos negócios. O dinheiro será usado em 20,4% das operações.

Já as compras de produtos esportivos terão um tíquete médio de R$ 116,95. O vice-presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, lembrou que entre esses itens, as camisas oficiais de seleções que participarão da Copa têm preços mais altos. 

Otimista em relação aos resultados para o comércio, o dirigente afirma que a paixão pelo futebol sempre motiva as pessoas a adquirir itens que remetam à competição e que vale a pena aproveitar essa oportunidade.