Recentemente conversei com um executivo do setor de telefonia e, durante o papo, ele me falou que as redes 5G permitiram uma conexão permanente com automóveis. Segundo o executivo, carros e cidades formarão uma estrutura de comunicação em que o automóvel saberá quando estiver se aproximando de um semáforo e se está aberto ou fechado. Tudo pela transferência de dados. E se o carro passar por um buraco será capaz de registrar a anomalia e informar para um grande banco de dados, que alertará os demais veículos e também as autoridades municipais para que o reparo seja feito.

Esse papo, que parece ficção, está a um passo da realidade (pelo menos no Japão, Coreia do Sul e Europa) e uma mostra de que o negócio é sério já foi conferida na Consumer Electronics Show (CES 2018), que aconteceu esta semana em Las Vegas. A principal feira de tecnologia do mundo há muito tem compartilhado seu espaço com televisores, telefones, câmeras e automóveis, onde fabricantes apostam em soluções de tecnologia para tornar o automóvel mais seguro e limpo. 

A Volkswagen anunciou uma parceria com a Nvidia, gigante dos processadores gráficos, para o desenvolvimento de uma inteligência artificial para os automóveis da marca. De acordo com a VW, o I.D. Buzz (aquela Kombi futurista) contará com inteligência artificial a bordo. 

Consciência
E a razão é simples. Tal como a evolução da eletrônica embarcada, em que um conjunto de computadores que interagem entre si substituíram sistemas elétricos para executar funções que vão desde a abertura dos vidros e ajuste dos retrovisores à ativação de sistemas de segurança e gerenciamento do comportamento dinâmico, a Inteligência Artificial surge como uma maneira de organizar uma série de tecnologias embarcadas. 

Telemetria, sistemas de prevenção de acidentes, condução autônoma e demais recursos que já estão presentes nos automóveis. O que falta é um HAL 9000 (aquele computador consciente de “2001: Uma Odisséia no Espaço”) para gerenciar e interpretar todas as funcionalidades. 

“A condução autônoma, a mobilidade com emissão zero e a interconexão digital em rede são virtualmente impossíveis sem avanços na IA e no Aprendizado Profundo. A combinação da imaginação da Volkswagen com a da NVIDIA, empresa líder em tecnologia de IA, nos permitirá dar um grande passo para o futuro”, observa, o CEO da Volkswagen, Dr. Herbert Diess

Aprendizado
Segundo a VW, o sistema de IA contará com uma série de sensores internos e externos que servirão para coletar informações que servirão de aprendizado para a Inteligência Artificial do automóvel. Segundo a fabricante, esse “conhecimento” permitirá que o automóvel tome decisões em diferentes circunstâncias de tráfego. “Dentro de poucos anos, todos os novos veículos deverão ter assistentes de IA para reconhecimento de voz, gestos e facial, assim como para realidade aumentada”, afirma o fundador e presidente da Nvidia, Jensen Huang.

Kombosa elétrica
O I.D. Buzz faz parte do projeto I.D. da Volks que quer implementar uma família de automóveis elétricos e com condução autônoma entre 2020 e 2025. O utilitário já teve algumas unidades construídas, ainda em caráter experimental. 

Já pensou se a “Kombosa” inteligente aprende como se ganha a vida como perueiro clandestino?