O produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi demitido, neste domingo (8), de seu estúdio cinematográfico, a Weinstein Company, após ser acusado de assediar mulheres sexualmente ao longo de várias décadas - informou a imprensa americana.

"À luz de novas informações sobre a má conduta de Harvey Weinstein que surgiram nos últimos dias, os diretores de The Weinstein Company - Robert Weinstein, Lance Maerov, Richard Koenigsberg e Tarak Ben Ammar - determinaram e informaram Harvey Weinstein de que seu emprego na companhia acabou", declarou a diretoria da empresa em uma nota citada por jornais americanos.

Esse desfecho vem na esteira de uma matéria publicada pelo jornal "The New York Times" no início da semana, segundo a qual Weinstein teria assediado jovens que pretendiam ingressar na indústria do cinema.

Várias mulheres, entre elas as atrizes Ashley Judd e Rose Mcgowan, o acusam de tê-las obrigado a vê-lo pelado, de tentar fazer com que o massageassem, ou mesmo de propor ajudá-las em suas carreiras em troca de favores sexuais.

Na quinta-feira, Weinstein pediu desculpas, anunciou que tiraria uma licença e garantiu que fará terapia "para enfrentar esse problema".

Em nota, Weinstein disse respeitar todas as mulheres e que espera ter uma segunda oportunidade, apesar de admitir que "deveria fazer muito para merecê-la".

"Cresci nos anos 1960 e 1970 quando todas as regras sobre o comportamento e os lugares de trabalho eram diferentes", continuou o produtor de 65 anos. "Era a cultura dessa época, e aprendi desde então que não é uma desculpa, na companhia ou em outro lugar", acrescentou.

O escândalo também tem um toque político que beneficia o Partido Republicano do presidente Donald Trump.

Harvey Weinstein, muito envolvido financeiramente em campanhas de candidatos democratas, apoiou Hillary Clinton na última campanha presidencial.

Trump declarou que conhecia Weinstein "há muito tempo" e que não estava "nada surpreso" com essas revelações.

"As mulheres que escolheram falar sobre o assédio sexual de Harvey Weinstein merecem nossa admiração - não é nem divertido nem fácil", considerou a atriz Lena Dunham, militante da causa feminista.

Cinco dos nove membros do conselho de administração da Weinstein Company, todos homens, renunciaram devido ao escândalo.

No momento, não há indicações sobre o que será feito com as ações que Weinstein tem na empresa.

Harvey Weinstein criou a produtora Miramax no fim dos anos 1970 com seu irmão e depois a vendeu para Disney. Posteriormente, os dois criaram a The Weinstein Company e produziram sucessos como "O Discurso do Rei", "O Mordomo da Casa Branca" e "O Jogo da Imitação".

Seu primeiro grande sucesso foi em 1989 com o filme "Sexo, mentiras e videotape" de Steven Soderbergh, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Além disso, muitos de seus filmes ganharam o Oscar, entre eles "Gênio indomável" e "O artista".