Com vereadores constrangidos em se posicionar publicamente, a maioria da velha guarda da Câmara Municipal decidiu não cassar o mandato do vereador Wellington Magalhães (PSDC), que cumpre prisão domiciliar desde maio pela acusação de desviar ao menos R$ 30 milhões do legislativo municipal. Na votação de ontem, 15 vereadores se abstiveram de votar, enquanto 23 apontaram a perda de mandato de Magalhães— eram necessários 28 votos para a cassação ser aprovada.

A votação em plenário fez com que o parecer favorável da Comissão Processante pela cassação de Magalhães, divulgado na última terça-feira, morresse na praia. Os votos foram divididos basicamente entre veteranos (a maioria apoiadores de Magalhães) e novatos (que cumprem a primeira legislatura). Dos 15 vereadores mais antigos, apenas sete votaram pela cassação. Entre os 23 novatos, 15 foram favoráveis à perda de mandato de Magalhães.

Além do presidente da Casa, Henrique Braga (PSDB), que comumente não vota, também não votaram Eduardo da Ambulância (Podemos), ausente do Plenário, e Juliano Lopes (PTC), que estava presente, mas não justificou a ausência do voto.

Nenhum vereador votou contrariamente à cassação, mas só dois deles, ambos da leva de estreantes <CW-1>na Câmara, discursaram a favor da perda de mandato de Magalhães. Todos os outros vereadores preferiram o silêncio, constrangidos pela presença de Magalhães, que acompanhou a votação escoltado por seguranças legislativos na sala do café, anexa ao Plenário. Essa foi a primeira visita do parlamentar à Câmara desde a sua prisão, em abril deste ano. Ele não falou com a imprensa.

Mateus Simões (Novo) lamentou o resultado da votação e criticou a postura dos vereadores. “Nosso trabalho não pode ser pautado pelo coleguismo. E o que vimos hoje (ontem) foi uma postura amigável, nada profissional, da maioria dos vereadores”, frisou Simões. Já Gabriel Azevedo (PHS) defendeu que Magalhães cometeu quebra de decoro. “Ele esteve foragido por uns dias e, na minha visão, isso configura quebra de decoro parlamentar”, disse Azevedo.

Dos que se abstiveram, Autair Gomes (PSC) justificou sua posição como “forma de não ferir a Justiça”. “O Wellington tem que ser julgado, só a Câmara não pode condená-lo”, disse.

Mesmo com a absolvição na Câmara, Wellington Magalhães continua afastado da Casa porque aguarda decisão do Tribunal de Justiça sobre o seu processo.
Segundo o advogado Leonardo Salles, não há previsão para o julgamento dos recursos. “Nós pedimos que ele possa voltar aos trabalhos legislativos, mas não há data para o julgamento desses pedidos. Temos que aguardar essa decisão e, até lá, ele permanece afastado”, disse.