Com um investimento de R$ 13 milhões, o Super Nosso fechou uma parceria exclusiva com a A.R.G para oferecer carne Angus em todas as unidades do grupo. “Estamos vivendo um momento de transição no país, em que a carne está deixando de ser commodity para se tornar um produto diferenciado e de origem comprovada”, afirma Rodolfo Nejm, sócio e diretor comercial e de operação do Grupo Super Nosso, ao descrever o projeto entre a rede de supermercados e o Grupo A.R.G.

Nejm argumenta que a carne Angus vai fortalecer o conceito de açougue gourmet e a empresa vai se antecipar a uma tendência que já demonstra sinais de crescimento no país. “As boutiques de carne apresentaram uma interessante expansão nos últimos anos. Queremos oferecer, no varejo, um produto de qualidade superior, que remeta ao conceito gourmet, mas, que possa ser consumido também no dia a dia. Não vai demorar a que o cliente procure esse tipo de carne em uma escala maior. Por que perder tempo se podemos investir nisso agora?”, destaca o diretor.

Aspectos econômicos e sociais foram importantes na parceria entre as empresas. “Queríamos um parceiro dentro do estado, pois era mais vantajoso em relação a tributos e competitividade. Mas, é claro que a origem familiar do Super Nosso também foi levada em consideração, uma vez que o Grupo A.R.G também segue esse estilo. Realizar parcerias mineiras é acreditar no desenvolvimento do nosso estado”, explica o gerente de logística e compras da Fazenda Santa Mônica, do Grupo ARG, Marcelo Pereira de Carvalho.

Fundada em 1978, o Grupo A.R.G tem tradição no agronegócio e toda a carne Angus que será vendida no Super Nosso é proveniente de animais criados na Fazenda Santa Mônica - localizada no município mineiro de São João da Ponte, a 100km de Montes Claros. 

A carne Angus já tem sido vendida nas unidades do Super Nosso demonstrando boa aceitação. “Iniciamos nosso projeto nas lojas sem muita divulgação, com vendas mensais de R$ 300 mil. Na segunda fase, passamos a realizar ações de relacionamento com o cliente, caracterizando as lojas com a marca Angus Super Nosso, personalizando balcões refrigerados e freezers. Com essas ações, passamos a vender R$ 1,3 milhão de reais por mês”, destaca Rafaela Nejm, sócia e diretora de marketing do Super Nosso.

A expectativa é que esses números dobrem a partir deste mês, quando serão iniciados os trabalhos de divulgação na mídia. “Estimamos vendas na casa dos R$ 2,6 milhões. A expectativa para 2019 é uma venda de R$ 40 milhões ao ano”, estima. 

De commodity a queridinho
Assim como aconteceu com outros produtos brasileiros, caso da cerveja e do café, que eram vistos apenas como commodities, a carne parece seguir o mesmo caminho ao ganhar cara própria e status de produto de qualidade. “Por muito tempo, o brasileiro se preocupou apenas com o preço da carne, não se interessava em saber de onde vinha ou por quais processos passou. Estamos observando um momento de mudança, ainda que tímido, no comportamento do consumidor”, explica Roberto Barcellos, consultor da A.R.G e profissional com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de marcas de carne.

Ao contrário das tendências de vegetarianismo e veganismo que invadiram o país nos últimos anos, a grande maioria dos brasileiros não parece ter intenção de deixar de consumir o produto. “O que parece estar acontecendo é um movimento de transformação no comportamento do consumidor. Ele está se interessando em saber onde foi produzido e qual o diferencial daquele boi que deu origem ao produto. É uma tendência que já é forte na Europa e deve se consolidar por aqui nos próximos cinco ou seis anos”, acredita.

Do Nelore ao Angus 
Apesar de a raça Angus, originária da Escócia, ser criada no Brasil há mais de 100 anos, a carne predominante no prato dos brasileiros, até então, advém da raça Nelore. Segundo Marcelo Carvalho, a carne do Nelore é de boa qualidade, mas perde em sabor. “A carne Angus tem mais gordura intramuscular, que derrete com o calor e é absorvida pela parte magra da carne, deixando-a bastante suculenta. Já a do Nelore não tem tanto marmoreio”, explica.

Além disso, a carne Angus vendida no Super Nosso se diferencia pelo tempo de abate. “Em média, no Brasil, os animais são abatidos aos 36 meses. Mas, na fazenda Santa Mônica, são abatidos aos 13 meses, com alto nível de acabamento de gordura”. Carvalho destaca também alimentação e genética na lista de diferenciais. “Todo o processo é controlado meticulosamente, desde a escolha do sêmen até sua alimentação. Além disso, a carne é totalmente rastreada e possui o selo de certificação da Associação Brasileira de Angus, são poucas as carnes no Brasil que possuem esse selo”, explica. 

Neste início, serão oferecidos 27 tipos de cortes da carne, dos mais sofisticados aos mais conhecidos pelos consumidores. “Nos preocupamos em oferecer cortes nobres e outros já consumidos pelos clientes. Além disso, temos uma linha de hambúrgueres que o brasileiro adora.” 

Farm to table
O consumidor tem se preocupado mais com a procedência da carne e isso tem inspirado empresas a investir em um conceito batizado de farm to table. “É uma ideia que tem ganhado força na Europa e, provavelmente, vai explodir no Brasil daqui a alguns anos. Trata-se de reduzir os intermediários entre o produtor e o consumidor, garantindo o controle de todas as etapas. No caso da carne Angus, conseguimos garantir o controle total do material genético dos animais, da alimentação ao rastreamento da carne que vai da fazenda para o Super Nosso”, explica Carvalho. 

Após o abate na Fazenda Santa Mônica, a carne vai para a Indústria Raro, do Super Nosso, responsável por todo o processo de preparo e embalagem dos cortes de bandeja, cortes congelados e hambúrguer. O Grupo Super Nosso foi a primeira rede de supermercados do Brasil a se especializar na manipulação de carnes e frios, investindo em um processo automatizado para garantir ao consumidor um produto fresco, padronizado e bem embalado. A empresa conta com o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A certificação garante que os processos internos são inspecionados e registrados de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Governo Federal.

Rodolfo Nejm explica que a Indústria Raro é um dos pilares para garantir ao consumidor a procedência do produto. “A Raro, que nasceu em 2014, foi um dos primeiros passos para garantir o alto nível de qualidade do produto. Não adianta nada vender o produto sem garantia total de qualidade. Todo o processo de manipulação desses alimentos é seguro e está de acordo com as normas sanitárias vigentes”, diz.

O Grupo Super Nosso
O Grupo Super Nosso possui 43 unidades em Belo Horizonte e região metropolitana. São 17 lojas Super Nosso, que é a rede de supermercados gourmet; 12 lojas de proximidade, lojas menores com foco em conveniência, com a bandeira Momento Super Nosso; um canal de vendas online do supermercado (o Super Nosso em Casa - www.supernossoemcasa.com.br) e ainda 14 atacarejos com a marca Apoio Mineiro. 

Também integram o Grupo uma indústria, a Raro Alimentos, que manipula carnes e frios com SIF para atender às lojas do Grupo, e uma infraestrutura completa de panificação, que produz pães artesanais e alimentos prontos de marca própria para venda nas lojas. E as distribuidoras especializadas DecMinas e DaMinas, que atendem mais de 600 municípios mineiros. Ao todo, são mais de 8 mil funcionários trabalhando para atender com excelência e oferecer uma ótima experiência de compra. A empresa é uma das maiores do setor varejista em Minas Gerais e ocupa a 19ª posição no ranking nacional da Abras de maiores empresas supermercadistas no Brasil.