Em filmes mais conceituais ("O Labirinto do Fauno") e produções para exibição de grande circuito internacional, como "Círculo de Fogo", principal estreia desta sexta-feira (9) nos cinemas, o diretor mexicano Guillermo Del Toro preserva um tema comum, sobre nossa concepção de bem e mal.
Ela está sempre embaçada, como o filho do diabo que nos ajuda a enfrentar bandidos (em "Hellboy"). Os marginalizados, por sinal, são os que aparecem como mocinhos, entre eles o vampiro (negro) de "Blade".
Mesmo num mundo fantasioso tão amedrontador como o de "O Labirinto do Fauno", a realidade lá fora surge ainda mais ameaçadora – no caso, a guerra civil espanhola, que também serve de fundo para "A Espinha do Diabo".
Desprezo
O horror parte, portanto, da necessidade de aceitação do que é diferente e de que o mal pode residir em situações que damos pouco valor. Por exemplo, na forma como tratamos com desprezo o que não participa diretamente do nosso dia a dia.
É assim que, em "Círculo de Fogo", monstros extraterrestres encontram o momento oportuno para invadirem o planeta, por conta da poluição. Não se trata aqui de simples veículo para conscientização ecológica.
A raiz está nos antigos seriados japoneses das décadas de 70 e 80, como "Ultraman" e "Spectraman", que refletiam a crise de identidade daquele povo no pós-Segunda Guerra, como a culpa e o medo do que vem do exterior.
Nesses seriados, as cidades nipônicas foram destruídas várias vezes (referência à bomba atômica) e o sentimento de inferioridade foi compensado com a criação de enormes robôs, especialmente por jovens (esperança de futuro melhor).
Del Toro alia suas preocupações a essa homenagem, que só deixa de lado os baratos efeitos especiais dos seriados. Como naquele tempo, os robôs são personagens à parte – por vezes, mais interessantes que os humanos – e protagonizam empolgantes cenas de luta.