Além de ser um thriller eficiente, com narrativa envolvente, personagens cheios de nuances e bem entrosado par de atores (George Clooney e Julia Roberts contracenam mais uma vez, após a continuação de “Onze Homens e um Segredo”), “Jogo do Dinheiro” já entra naquele rol de filmes para “estudantes de jornalismo verem”.
Principal estreia de amanhã nos cinemas, o longa dirigido por Jodie Foster (atriz ganhadora de dois Oscar, que estava há cinco anos sem lançar um novo trabalho) registra o que vem sendo uma tendência do jornalismo atual: cada vez mais entretenimento e menos investigativo, aceitando informações sem fazer a habitual checagem.
O irônico em “Jogo do Dinheiro” é que o cruzamento de dados só acontece quando uma bomba está prestes a explodir, literalmente. Apresentador de TV popular, Lee Gates (Clooney) tem seu programa sobre economia invadido por um atirador enraivecido, que deseja ter de volta o dinheiro que perdeu em ações.
Número
Enquanto o jornalista usa de boa lábia para enrolar o atirador, a produtora (Julia) e a diretora de marketing de uma empresa que perdeu dinheiro no mercado, após uma pane no sistema, tentam destrinchar o que está por trás de um simples algoritmo, encontrando bem mais do que um impessoal e abstrato número.
O roteiro não foge dos artifícios do gênero, trocando o mundo policial pelo jornalístico. Clooney seria o arrogante tira usado como bode expiatório de forças que estão muito acima dele; o atirador é o homem desesperado que busca fazer justiça com as próprias mãos; e Julia, aquela em que, em sua última semana de trabalho, tem sua força posta à prova.
Em seu primeiro filme de ação, Jodie Foster promove um ótimo cruzamento dessas linhas, em prol de uma trama que denuncia um jornalismo que acaba justificando a corrupção que deveria combater, colocando nas mãos das mulheres, como boa feminista que é, os rumos de um futuro de esperança.