Entrevista

Felipe Giaffone detalha Copa Truck e analisa futuro do Brasil no automobilismo

Pedro Faria*
pfaria@hojeemdia.com.br
Publicado em 29/05/2023 às 07:00.
 (CBMM/Reprodução)
(CBMM/Reprodução)

SÃO PAULO - Piloto de automobilismo, multicampeão e comentarista esportivo na TV, Felipe Giaffone compete agora, aos 48 anos, na Copa Truck, na qual é um dos principais nomes da categoria. O veterano já esteve, inclusive, na tradicional Fórmula Indy, em 1996. Dois anos depois, venceu a corrida de Michigan e terminou o campeonato em quarto lugar. Na Fórmula Truck chegou em 2005 e ganhou quatro campeonatos.

Durante a etapa de Interlagos, em São Paulo, em 30 de abril, ele conversou com o Hoje em Dia. Giaffone falou sobre o futuro do automobilismo no país e como a categoria de caminhões está transformando as corridas nacionais.

Qual é o formato de disputa da Copa Truck?
São sete eventos e nove provas pelo Brasil. No fim de semana são duas corridas. Na sexta temos o treino livre, sábado classificação. As duas corridas são seguidas no domingo, com o grid invertido na segunda.

Quais mudanças são feitas no caminhão que disputa a Copa Truck em relação ao tradicional veículo de carga das estradas?
O objetivo das fábricas sempre foi testar o que pode ir paras ruas. Então, isso é uma corrida de caminhões. Temos um caminhão original, mas customizado. Transformamos ele, com a cabine rebaixada, tirando o peso extra e o conforto que o motorista tem nas ruas normalmente. O motor tem quase mil cavalos. É realmente como se fosse um caminhão voltado para competição. Nosso caminhão chega a quase 200km/h durante as corridas. Então, temos um reservatório de quase 200 litros de água para esfriar os freios.

Como você enxerga o automobilismo no Brasil atualmente?
Sempre que temos uma categoria nacional forte, como é o caso da Copa Truck e Stock Car Nacional, o cenário muda. Temos veteranos e uma molecada nova. Os pilotos jovens veem lá fora muito longe, devido aos enormes valores, e preferem ficar por aqui. Precisamos de um direcionamento melhor de patrocinadores para ter essa formação. 

O que dificultou o acesso dos brasileiros aos carros da Fórmula 1?
Nos últimos anos complicou um pouco mais, principalmente desde que o dólar disparou. Lá atrás, era 1 para 1. Os US$ 6 milhões que eu pagava eram R$ 6 milhões, então hoje em dia inviabiliza, com o dólar no valor que está.

Porque outros países não sofrem com esse mesmo problema que o Brasil?
Nos Estados Unidos não tem muito piloto de Fórmula 1 porque a Nascar e a Indy são muito fortes. A Austrália é exceção que consegue formar pilotos para os dois. Já a Europa não dá para contar porque a Fórmula 1 acontece lá dentro, é mais fácil. Aqui na América do Sul a Argentina funciona semelhante ao Brasil, é um automobilismo local muito forte.

E como mostrar a força do automobilismo nacional para o público geral?
Fora do Brasil, a Stock Car é muito forte. Pilotos de fora comentam muito. Aqui, nos acostumamos com a Fórmula 1 e não sabemos da proporção das nossas categorias nacionais. Pilotos vão para fora e acabam voltando porque conseguem salários melhores aqui do que lá.

Como você enxerga os garotos que estão chegando agora?
Tem uma molecada boa. Meu filho está aí. Ele sabe que a Fórmula 1 é muito longe e está disputando para chegar na Indy. Ele tem uma chance desde que performe. Então a gente tem uma molecada. Quando falamos em Fórmula 1, precisa estar em uma escola de uma equipe grande. Nem só dinheiro te leva lá. Você tem que ter um manager certo, equipe certa para isso.

*Repórter viajou a convite da CBMM

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