
Toninho, como gosta de ser chamado, entrou para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em 2010 e em 2012 já estava ao lado de Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira. Durante essa fase, participou da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. O trabalho era de supervisão e administração. Além disso, Toninho auxiliava a logística da Seleção e a interface da CBF com a Nike.
De 2015 a 2022 no Cruzeiro, Toninho Almeida trabalhou como analista de mercado, uma função técnica, que ajudava a comissão na avaliação de possíveis contratações. No Atlético desde 2022, com a função de gestor administrativo, Toninho se tornou responsável pela intermediação e interface entre Atlético e o patrocinador Adidas.
O profissional bateu um papo com o Hoje em Dia para falar da sua trajetória no mundo do futebol, as diferenças do seu trabalho desenvolvido no Cruzeiro e no Atlético e as lições que seu pai, Toninho Almeida, ídolo como jogador de futebol, deixou para a sua vida.
Como está esse período de conquistas na gestão administrativa do Clube Atlético Mineiro, atualmente um dos times mais falados do continente?
O Atlético é um clube enorme, com uma estrutura física fantástica e profissionais que são referências em suas áreas de atuação. Me sinto em casa aqui e tenho o apoio de outros departamentos no meu dia a dia. Posso afirmar que aqui, na sede administrativa, o trabalho é desenvolvido em equipe e altamente eficaz. O Galo vive um momento especial dentro e fora de campo. Além da recente a conquista da tríplice coroa, estamos alcançando a reta final da construção da Arena MRV, que receberá além dos jogos do Galo, shows e eventos com uma megaestrutura.
Você já fez essa interface com a Nike também, e pela Seleção Brasileira. Como foi conviver nesse período com Parreira e Felipão, os dois últimos técnicos campeões mundiais com o Brasil?
Os dois, tanto o Parreira quanto o Felipão, tiveram uma parcela enorme no meu crescimento e entendimento do processo dentro do futebol. Me ajudaram tanto na parte administrativa, quando estive bem próximo do Parreira na CBF, quanto na parte técnica, trabalhando diretamente com o Felipão, e isso aconteceu também no Cruzeiro. O Felipão é um profissional que consegue ter uma leitura de vestiário como poucos. O Parreira, com a sua gestão de pessoas, me fez chegar a conclusão de que o bom profissional de verdade é o “completo”. Bom tecnicamente e melhor ainda na gestão pessoal. O que é só bom tecnicamente não vai muito longe. Costumo dizer que no futebol, a parte teórica e os cursos são importantes, porém, você vivenciar o dia a dia de campo, de vestiário, enfim, a rotina do futebol ao lado de profissionais como esses dois, realmente não tem preço. Me sinto privilegiado por ter convivido com eles profissionalmente e poder manter contato até hoje.
Você também permaneceu no Cruzeiro durante 7 anos, mas com uma função diferente. Como funciona o analista de mercado para o clube de futebol?
Muita gente confunde o analista de desempenho com o analista de mercado. Apesar do fato de que na maioria dos clubes, as funções de analista de mercado e analista de desempenho fazem parte do mesmo departamento, porém funcionam de formas distintas. Ou seja, são dois campos diferentes que trabalham em conjunto de forma complementar. A análise de desempenho tem o papel de auxiliar o treinador na tomada de decisão e na captura de informações referentes ao jogo. Já o analista de mercado, é uma função mais ligada ao clube, mais próxima da diretoria, e envolve observar, filtrar e monitorar os potenciais reforços, acompanhando de perto os campeonatos para saber quem são os destaques. O principal objetivo é minimizar os erros das contratações e identificar precocemente potenciais talentos. Além disso, há o monitoramento dos atletas emprestados pelo clube.
Qual a sua expectativa para 2023. O Atlético chega como favorito na Copa Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão?
Corriqueiramente confundimos dois importantes conceitos no esporte. Desempenho e resultado. Em vários jogos onde fomos dominantes, a bola não entrou. O desempenho era bom, mas o resultado não era o esperado. Esse ano estou confiante. O Atlético tem hoje um dos melhores elencos do futebol brasileiro e sul-americano. A expectativa não tem como ser outra, é a melhor possível. Embora saibamos que para alcançar as conquistas, precisamos de muito mais do que um time forte como o nosso. Acho que o Atlético conseguiu montar um elenco muito equilibrado. Na minha opinião somos favoritos em todas essas competições.
Você, assim como o seu pai, o ex-jogador Toninho Almeida, passaram pelos grandes clubes de BH. Como lidar com essas semelhanças perante as maiores torcidas de Minas Gerais?
Quando optamos pela carreira profissional dentro do futebol, passamos a enxergar o esporte de forma diferente, com outro olhar e um entendimento que vai além das arquibancadas. Alguns torcedores ainda encontram dificuldades em aceitar que algum jogador ou membro da comissão técnica troque seu time pelo rival. O mais importante disso tudo é o respeito. Respeito pela sua torcida e pela torcida adversária. Esse foi o legado deixado pelo meu pai nos clubes por onde ele passou, e tenho procurado fazer o mesmo.
Por falar no seu pai, qual legado ele deixou para você sobre o futebol e qual inspiração dele te levou a ter seguido por esse caminho?
Como a grande maioria das crianças, ser jogador de futebol era um sonho. Se tornar um atleta profissional era outra história. Poucos atingem esse nível, mesmo durante toda a carreira em campo. E essa diferença entre o jogador de futebol e o atleta profissional, foi o que mais me chamou a atenção em meu pai. O exemplo de disciplina, foco e resiliência serviram de inspirações e foram fatores preponderantes para que pudesse traçar o meu próprio caminho no esporte.
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