A torcida do Atlético já tinha perdido a paciência, principalmente pelo primeiro tempo do time, que não fez praticamente nada. Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli pouco apareceram, enquanto Otamendi teve duas falhas graves, sendo que uma levou ao primeiro gol de Obina. O técnico Paulo Autuori e a equipe eram execrados na arquibancada do estádio onde o Galo costuma brilhar.
Mas o gol de Diego Tardelli, aos dez minutos do segundo tempo, começou a mudar esta situação. O jogador resolveu assumir a responsabilidade e correu em direção ao técnico Paulo Autuori, fazendo gestos com as mãos de que estão falando demais. Depois de apontar para o treinador, ele deu um longo abraço no técnico.
Alguns atleticanos até esboçaram uma vaia para a atitude do camisa 9, mas os pedidos de apoio de Tardelli para as arquibancadas foram logo atendidos.
“O Paulo Autuori é o menos culpado. Ele está trabalhando, mas não pode entrar em campo, não pode dar um passe. Se as coisas não estão acontecendo, a culpa não é dele. Ele é o menos culpado”, justificou o atacante.
Homenageado pelos jogadores após o gol da virada, Autuori minimizou a conversa que teve com o grupo no intervalo, determinante para uma postura bem diferente no segundo tempo. “Foi uma conversa normal de vestiário. Não teve nada demais. A única coisa que eu falei é que uma equipe como o Atlético, campeã da Libertadores, não pode sofrer um gol tão rápido. Eles entenderam e levam todo o mérito”, resumiu.
Para explicar as vaias, o técnico do Galo filosofou e usou até a história do país para justificar o comportamento dos torcedores. “Essa liberdade não tem preço. Todo mundo tem liberdade de falar o que quiser. Teve um período no Brasil em que a gente perdeu isso, o que era muito triste. Eu lembro muito bem disso, mas isso não vai me atingir”.
Pelo Campeonato Mineiro, o Atlético volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Villa Nova, no Alçapão do Bonfim, pela oitava rodada do Estadual.