
Os donos de postos de combustíveis não garantem que repassarão para as bombas a redução de 3,2% da gasolina e de 2,7% do diesel, anunciada ontem pela Petrobras. Apesar de o corte na refinaria gerar potencial de barateamento de R$ 0,05 por litro nos dois combustíveis, a diferença poderá ser incorporada às margens de lucro das distribuidoras e dos postos.
O corte nos preços anunciado ontem faz parte da nova política da Petrobras, de paridade com as cotações internacionais. A diretoria-executiva da estatal definiu que os preços serão revistos uma vez por mês, iniciando com a redução que começa a vigorar hoje.
Essa é a primeira queda dos preços na refinaria desde 2009. Mas a empresa garante que podem ocorrer outras reduções e até mesmo descontos pontuais em mercados específicos. A decisão de mudança no modelo de precificação dos combustíveis levou em conta o crescimento das importações, com consequente perda de participação de mercado da estatal.
Varejo
Caso o corte nos preços fosse integralmente repassada para o consumidor final, a redução por litro no varejo seria de R$ 0,05, segundo estimativas da Petrobras. Mas, em nota, a empresa relativizou essa possibilidade: “Como a lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas pela Petrobras nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor. Isso dependerá de repasses feitos por outros integrantes da cadeia de petróleo, especialmente distribuidoras e postos de combustíveis”.
Repasse
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) não garante que a redução chegará às bombas.
“O Sindicato ressalta que não sabe e nem pode precisar se tais reajustes serão repassados pelos postos ao consumidor final”, informou a entidade por nota. O Minaspetro representa cerca de 4 mil postos de combustíveis no Estado.
Conforme lembrou Bráulio Chaves, diretor do Minaspetro, a refinaria vende os combustíveis para as distribuidoras, que revendem para os postos. Em cada etapa são adicionadas as margens e cobertos os custos de operação.
“O caminho do combustível é longo. Por isso, o anúncio de hoje não é de barateamento para os consumidores. Até porque é cedo para dizer isso”, afirma.
Já o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) informou que não comenta a política de preços das empresas.
Efeito sobre a inflação será psicológico, dizem especialistas
A redução dos preços da gasolina e do diesel pela Petrobras não deverá ter efeito significativo sobre a inflação. Para especialistas, o reflexo deverá ser mais “psicológico” do que efetivo.
Como há possibilidade de a redução dos preços nas bombas ser muito pequeno ou mesmo nulo, o corte feito pela Petrobras propriamente dito não deverá colaborar para uma redução sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mas, pode contribuir para um arrefecimento da inflação por causa do efeito psicológico causado pelo anúncio de redução, conforme lembra o diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer.
“Quando as pessoas ouvem que haverá barateamento de combustíveis, elas já imaginam que haverá redução de custos. O impacto disso é um sentimento de controle inflacionário”, afirma.
Para o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas/Faculdade IBS, Mauro Rochlin, a medida tem outro resultado prático: a sinalização que a Petrobras vai seguir regras de mercado. “A partir do momento em que a empresa decide deixar os preços pareados com os valores internacionais, passa-se a mensagem de profissionalização”, afirma.
Meirelles
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que a redução dos preços é uma decisão da empresa e não do governo. Ele enfatizou que a estatal de petróleo brasileira é autônoma. “Os preços de gasolina, de óleo diesel, etc deixaram de ser definidos pelo Executivo tendo em vista alguns objetivos outros de política econômica. O importante agora é que a Petrobras fixe seus preços e não há dúvida que, nesse caso específico, é favorável do ponto de vista da inflação. Mas isso é uma decisão clara da Petrobras, autônoma. É uma das características mais importantes agora dessa política econômica, que é respeitar a realidade”, disse na saída de reunião com a presidente Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. (Com agências)