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Tarifação recíproca

Fiemg vê 'oportunidade para indústria nacional' com tarifaço de Trump

Presidente dos EUA divulgou nesta quarta-feira (2) que produtos brasileiros serão sobretaxados em 10%

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 02/04/2025 às 19:50.Atualizado em 02/04/2025 às 20:51.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2), um pacote de tarifas sobre produtos importados. O Brasil está entre os países afetados pelo "tarifaço global", com taxa linear de 10%. Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), embora o anúncio "represente uma sinalização de endurecimento nas políticas comerciais americanas", a decisão "também pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil frente aos demais países e, eventualmente, uma oportunidade para a indústria nacional". 

A Fiemg ressaltou que é preciso entender se os produtos já taxados anteriormente pelo governo americano em 25%, como é o caso do aço, do alumínio e do setor automotivo, serão atingidos ou não pela nova taxação.

A entidade destacou que entre os setores da economia brasileira e da indústria mineira que devem ser afetados pela medida estão:

  • Siderurgia e metalurgia: o aço brasileiro, especialmente o semiacabado, é amplamente exportado para os EUA, sendo um elo complementar à cadeia produtiva americana. A imposição de 25% de tarifas sobre produtos siderúrgicos, já anunciadas anteriormente e agora, se acrescidas de 10%, afetarão diretamente a competitividade da indústria nacional.
  • Aeronáutico: aeronaves da Embraer, produto de alto valor tecnológico e estratégico, compõem parcela significativa das exportações brasileiras. A medida pode comprometer a presença dos jatos regionais brasileiros no mercado americano.
  • Madeira e derivados: os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras do setor. Produtos como madeira perfilada e itens para marcenaria têm forte dependência do mercado norte-americano. Além disso, pastas químicas (celulósicas) à Soda ou Sulfato é o maior produto exportado pelo Brasil do setor de madeira, representando 41,5% das importações brasileiras dos EUA em 2023. 
  • Etanol: apesar da oscilação nas exportações, os EUA ainda figuram como segundo maior destino do etanol brasileiro, reforçando a relevância do setor na pauta exportadora.
  • Commodities agrícolas: como café e carne bovina, que compõem itens sensíveis na relação bilateral.
  • Cobre: apesar de os EUA não serem o principal destino do cobre brasileiro, qualquer alteração no mercado global impacta os preços e a cadeia produtiva interna.
  • Alumínio: o Brasil ocupa a 17ª posição entre os fornecedores de alumínio dos EUA. No entanto, assim como o aço, o produto já havia sido taxado em 25% e pode ser impactado pela nova tarifação.
  • Setor automotivo: a medida pode repercutir negativamente sobre a produção nacional, especialmente em Minas Gerais, que é um dos principais exportadores de peças e acessórios para veículos para os EUA.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões (12% das exportações) e importou US$ 40,7 bilhões (15,5% das importações) dos Estados Unidos. Com estes resultados, o saldo comercial com o país norte-americano foi praticamente nulo. No entanto, o superávit americano em relação ao Brasil foi acumulado em US$ 165,4 bilhões entre os anos de 2015 a 2024.

Em nota enviada ao Hoje em Dia, a Federação reiterou a confiança na diplomacia comercial e no papel ativo do Brasil em buscar soluções negociadas, capazes de preservar empregos, investimentos e o equilíbrio da balança comercial, preservando as relações comerciais estratégicas entre os dois países.

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