Afinal, teremos ou não, hoje, a cerimônia em Ouro Preto, quando o país lembra - ou, mais do que isso, deveria reverenciar - a figura do protomártir da Inconfidência, Joaquim José da Silva Xavier, o imortal Tiradentes, enforcado no Rio de Janeiro há 230 anos?
O governo do Estado diz que vai. E prepara uma cerimônia com todas as pompas a que faria jus o nosso pranteado Tiradentes. Mas a chancelaria da Medalha, vale dizer, a Assembleia Legislativa, diz que em Ouro Preto hoje não haverá nada - a não ser o feriado nacional - e até informa que o orador oficial da cerimônia, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, até viajou para Portugal e que, em consequência, uma nova data será marcada para o Palácio da Inconfidência, sede do Poder Legislativo, aí provavelmente com a presença do senador Pacheco.
Ora, o que se vê neste caso é um novo capítulo da disputa que travam o governador Romeu Zema e o presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus, em que o primeiro chamou Agostinho de “nocivo” e o presidente da Assembleia chamou o governador de “incapaz”, numa troca de farpas que vai ganhando força na medida em que a campanha vai esquentando.
Esse caso agora de Ouro Preto não é menos emblemático, embora Tiradentes não tenha nada com isso. O que se diz é que as medalhas não teriam ficado prontas a tempo de serem entregues na mítica Ouro Preto. A nota do chanceler da medalha, Agostinho Patrus, não toca nesse assunto, preferindo ater-se ao fato de que a cerimônia da entrega das medalhas será numa outra data, mas no Parlamento mineiro. O que não se sabe é se o governador Romeu Zema, que não está de boa com o presidente da Assembleia, até porque vai recorrer à Justiça para barrar os aumentos que os deputados deram a algumas categorias do funcionalismo, irá comparecer à, digamos, casa do inimigo. Tomara que compareça até para que essas rusgas possam desaparecer momentaneamente para reaparecerem quando a campanha eleitoral pegar fogo.
A reação do presidente
Há quem tema pela reação do presidente Jair Bolsonaro diante de uma possível condenação do seu protegido, o deputado federal Daniel Silveira, que, se condenado como parece ser a vontade do Supremo Tribunal Federal, ficará inelegível. Ontem, para esquentar o julgamento, daí a razão do que poderá dizer Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes multou o advogado de Daniel Silveira por entender que o causídico estava abusando do direito de recorrer.
De qualquer maneira, havia no inicio do julgamento a expectativa de o novo ministro do Supremo, André Mendonça, de pedir vistas e com isso deixar Daniel Silveira em condições de se eleger. Essa hipótese, no entanto, era pouco provável no transcorrer do julgamento. De forma que dificilmente Daniel Silveira (PTB-RJ) deixará de ser condenado e, portanto, ficando inelegível. Bolsonaro promete reagir – não se sabe como.