Gestor de Futebol pela CBF Academy e pela Universidade do Futebol, pós-graduado em Direito Desportivo e Negócios no Esporte.

A polêmica (desnecessária) eliminação do Flamengo

A polêmica (desnecessária) eliminação do Flamengo
Publicado em 14/02/2023 às 06:00.

Hoje completamos uma semana da eliminação do Flamengo para o Al Hilal no Mundial de Clubes. Poeira baixa e cabeça fria, chegou, finalmente, o momento de tecer alguns comentários. Afinal de contas, a emoção e a tristeza de uma derrota, quase sempre, deixam as pessoas irritadas. Jornalistas e influenciadores (sem generalização) aproveitam a onda para colocar gasolina na fogueira e, consequentemente, angariar engajamento. Entretanto, este não é o método de quem vos escreve!

Começo este texto pela troca de comando técnico: sai Dorival Júnior, entra Vítor Pereira. Impossível saber a realidade dos fatos e as razões que motivaram esta troca. E como costuma dizer Sir Alex Ferguson, lendário treinador do Manchester United, “é difícil opinar quando não sabemos as razões que levaram àquela decisão”. Mas uma coisa é importante afirmar: os resultados positivos, por si só, não devem ser indicadores para a manutenção de um treinador. Em time que está ganhando, pode-se mexer sim (ou não)!

Agora, vamos aos efeitos da troca: nenhum, absolutamente nenhum treinador, é igual. É impossível para um novo treinador simplesmente “continuar” o trabalho do seu antecessor. Cada ser humano é único e, por mais que você tente copiar métodos, a sua aplicação nunca sairá igual. Isso porque cada profissional possui as suas crenças, convicções, vivências e demais características próprias que vão modular o trabalho. Assim, a introdução de Vítor Pereira marca o início de um trabalho, o que podemos comparar ao transplante de um órgão (um coração): existe um tempo de adaptação do organismo, cuja celeridade não possui prazo.

Vítor Pereira é adepto da escola portuguesa de treinos, a periodização tática, e possui como ideia de jogo equipes com um ataque mais posicional. Dorival Júnior, por sua vez, adotava um ataque mais anárquico, com uma liberdade criativa e uma aproximação de todos em torno da bola. O jogo do português exige extremas de ofício ou laterais com boa característica de profundidade, além de médios (meio campistas) com característica box to box e forte capacidade de marcação. Sem Rodinei e João Gomes, parte deste modelo precisa ser readaptado. Destarte, já não temos o mesmo Flamengo de 2022.

Não há a menor dúvida da qualidade do treinador português, pautada no seu currículo e no bom trabalho à frente do Corinthians, ano passado. Mas precisamos entender que são novas ideias e vão requerer um tempo mínimo de adaptação. Dorival deu liga rápido no Flamengo, mas isto é a exceção, não a regra. É preciso um bocado de paciência, confiança e respaldo no processo, pois assim Vítor conseguirá restabelecer, mais rapidamente, o Flamengo forte e combativo que todos esperam.

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