A crônica esportiva tem pautado Carlo Ancelotti como o próximo treinador da Seleção Brasileira, assumindo o posto ao término da época europeia 2022-2023, em meados de junho. O italiano é um dos treinadores mais bem sucedidos e respeitados do futebol mundial. Além de suas habilidades táticas e estratégias, o autor do livro “Minha Árvore de Natal” tem como característica notável a capacidade de relacionamento interpessoal.
Ancelotti é conhecido por ser um líder calmo e tranquilo, que sabe não somente se comunicar com seus jogadores, mas se conectar profundamente com eles. Afinal de contas, um jogador triste e desmotivado pode arrastar toda a equipe para baixo. Para o treinador, a empatia é fundamental e, para isso, busca entender individualmente cada atleta. Engana-se muito quem acha que são todos iguais, pois cada indivíduo possui suas próprias emoções, crenças, perspectivas, opiniões, anseios, necessidades e medos. Tratá-los com suas devidas particularidades é um triunfo para que os atletas “comprem” sua ideia de jogo.
O livro “Os Campeões”, de Mike Carson, relata uma passagem interessante de quando Ancelotti era técnico do Milan e um jogador, que costumava ter boas atuações mas estava em má fase, se aproximou para uma conversa. O atleta mencionou que estava com um problema pessoal, que precisava sair de licença para se casar. No fundo, Ancelotti percebeu que, na verdade, ele estava tentando dizer que não queria o casamento. Ambos conversaram por horas e, ao final, o atleta resolveu seguir seu coração, não se casou e voltou a jogar bem. Até hoje eles são grandes amigos.
Com este trecho, fica evidente uma enorme capacidade de se mostrar acessível aos jogadores até para desabafos pessoais. Um simples conselho e ter disponibilidade para escutar, faz toda a diferença, pois o atleta sentirá de fato que está sendo levado a sério. Atitudes assim fazem com que os jogadores sejam capazes de atravessar um corredor em chamas pelo treinador. E você: costuma ser acessível aos seus liderados?